Luiz Antônio Rodrigues da Silva, que se apresentava como guia espiritual, foi absolvido de acusações de abuso sexual pela Justiça de Mato Grosso. A decisão foi proferida pelo juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, da 8ª Vara Criminal de Cuiabá, em 15 de março de 2026.
O homem havia sido indiciado em outubro de 2023 após denúncias de 12 mulheres que afirmaram ter sido abusadas durante rituais de ‘energização’. Os relatos indicam que os abusos ocorreram entre 2022 e 2023, período em que Luiz atuava como líder de um terreiro.
A advogada de Luiz afirmou que o processo contém mais do que apenas os relatos das vítimas, incluindo depoimentos detalhados e laudos periciais. No entanto, a advogada de algumas vítimas, Karime Dogan, criticou a análise das provas, afirmando que não considerou as diretrizes do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça.
““A ausência de aplicação do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero não é um detalhe técnico. Quando esse instrumento criado pelo Conselho Nacional de Justiça é ignorado, o risco é que casos de violência sexual sejam analisados com lentes que historicamente favoreceram a impunidade”, afirmou Karime Dogan.”
Entre as provas apresentadas está a apreensão do celular do acusado, cujo conteúdo foi analisado pela Polícia Civil de Mato Grosso. Os materiais extraídos permanecem sob a guarda da Justiça. O Ministério Público, a Defensoria Pública e a defesa das vítimas já recorreram ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) pedindo a revisão da sentença.
Segundo a Polícia Civil, Luiz utilizava o aplicativo Tik Tok para atrair as vítimas, prometendo amparo espiritual em Cuiabá. Durante os atendimentos, ele se aproveitava da situação para praticar os abusos, alegando que os atos eram realizados por um ‘espírito encarnado’.
A delegada Judá Marcondes, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), informou que o suspeito divulgava seu trabalho como líder religioso na plataforma e marcava encontros com as vítimas em um local onde dizia manifestar sua religiosidade.
Uma das vítimas, que não quis se identificar, relatou que começou a frequentar o terreiro em maio de 2022 e que o abuso ocorreu em abril de 2023, durante um atendimento particular. Ela descreveu a situação em que o homem a convenceu a fechar os olhos e a fez acreditar que tinha uma ligação espiritual com ele.
““Ele começou a dizer que eu estava tentando salvar todo mundo e que eu não ia aguentar porque sou fraca. Perguntei o que eu podia fazer para melhorar. Ele começou a mudar de assunto e disse que iria me contar uma coisa que não era para dizer para outras pessoas”, contou a jovem.”
A mulher afirmou que, após o ocorrido, soube que outras vítimas também passaram por situações semelhantes, todas durante atendimentos particulares, utilizando os mesmos argumentos de vidas passadas.


