O Hospital Municipal de Itapira, localizado no interior de São Paulo, é responsável pela coleta de doações de placentas, que são utilizadas na produção da polilaminina. Essa substância está sendo testada com autorização da Anvisa para o tratamento de lesões medulares agudas.
A polilaminina é um composto desenvolvido em laboratório a partir da laminina, uma proteína essencial durante o desenvolvimento embrionário. O hospital realiza em média 40 partos por mês e, desde abril de 2025, é parceiro de um laboratório privado na cidade, que produz a polilaminina utilizada pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Até o momento, 140 mães já colaboraram com a pesquisa.
“A equipe de enfermagem acolhe a gestante, conversa, apresenta o projeto para ela e aí ela pensa se quer ser uma doadora ou não. Então, até hoje, das gestantes que foram aptas para essa doação, a gente nunca teve negativa”, afirmou Mônica Cobra, coordenadora de enfermagem do hospital.
Para participar da pesquisa, as gestantes devem ter entre 18 e 36 anos, não ter feito uso de tabaco, álcool ou drogas durante a gestação e não apresentar doenças infectocontagiosas, como HIV e sífilis. A presença de mecônio durante o parto também inviabiliza a doação.
As placentas coletadas são tratadas como lixo hospitalar e descartadas caso as mães não autorizem a doação ou não se enquadrem nos critérios. Após o parto, as placentas são congeladas em um freezer a -20º C e passam por uma série de testes, cujos resultados ficam prontos em 15 a 20 dias.
O hospital mantém o controle dos dados pessoais das doadoras, enquanto o laboratório identifica o material apenas com um número de prontuário. O laboratório Cristália, parceiro do hospital, planeja solicitar o registro definitivo da polilaminina junto à Anvisa.
“A gente entra justamente nessa etapa para escalar a produção, fazer todas as provas necessárias que a Anvisa solicita, e submeter o pedido de registro definitivo à Anvisa”, explicou Rogério Almeida, diretor-presidente de pesquisa e inovação do laboratório.
A pesquisadora Tatiana Sampaio já obteve resultados positivos com o uso da polilaminina em animais e em um pequeno grupo de pessoas. “Se você me perguntar se eu acho que nós já chegamos ao estágio final de desenvolvimento da polilaminina, se estou convencida de que ela é a cura para a lesão medular? Não!”, disse Tatiana.
A polilaminina pode ajudar na regeneração em casos de lesão medular aguda, que ocorre logo após o trauma. A substância é aplicada no local da lesão com o objetivo de estimular os nervos a criarem novas rotas e restabelecer parte dos movimentos.
Um estudo preliminar com oito pacientes mostrou diferentes níveis de recuperação motora, mas não houve revisão por pares. Os resultados ainda não permitem afirmar que a substância é eficaz, especialmente em lesões crônicas.

