O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (9) que os Estados Unidos não têm a intenção de interferir nas eleições brasileiras marcadas para outubro. Ele criticou a postura do presidente norte-americano Donald Trump e a instabilidade causada por ofensivas militares recentes.
Segundo Motta, o Brasil está bem posicionado no cenário internacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu estabelecer um “bom diálogo” com os Estados Unidos. “Não acredito que o presidente Trump tenha interesse de interferir nas eleições brasileiras”, declarou em entrevista à Rádio Metrópole Salvador.
O deputado destacou que Trump busca defender as relações comerciais dos países onde tem interesse, o que, segundo ele, provoca “tensão” e instabilidade. “Através da força do poderio bélico dos Estados Unidos, o presidente [Trump] tem procurado interferir no comando desses países. Foi o que aconteceu na Venezuela, é o que vem acontecendo agora no Irã e é o que se desenha que vai acontecer com Cuba. Isso, na minha avaliação, é muito ruim na ordem geopolítica”, afirmou.
No final de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram ofensivas contra o Irã, que retaliou com ataques a países no Oriente Médio. Em janeiro, uma operação militar norte-americana realizou ataques no território venezuelano e prendeu o então presidente do país, Nicolás Maduro.
Motta expressou preocupação com o comportamento de Trump, que traz um momento de tensão em relação às suas decisões políticas. Ele afirmou que a atuação norte-americana tem obrigado uma reconfiguração da ordem mundial e uma corrida por novos investimentos em defesa.
O deputado também defendeu que o Brasil pode ser um ator importante para ajudar no reestabelecimento das relações entre as principais forças mundiais. “Precisamos acender a luz de alerta, justamente para que essa vontade individual do presidente Trump, que momentaneamente preside os Estados Unidos, não venha causar desorganização na ordem de comércio e na relação internacional entre os países”, concluiu.

