O aposentado José Borges da Silva, de 81 anos, teve sua aposentadoria suspensa pela segunda vez após ser considerado morto. Ele vive em Ituaçu, no noroeste de Goiás, e atualmente depende de doações de cestas básicas feitas por moradores da cidade.
“Eu estou passando dificuldades e sentindo falta das coisas. Não é fácil, em abril eu faço 82 anos, não aguento mais trabalhar com serviço pesado”, afirmou José.
José vive sozinho e relatou que não tem conseguido pagar contas básicas. Para tentar equilibrar suas despesas, ele realiza pequenos bicos de reparos. “Eu ainda faço alguns serviços, arrumo umas torneiras, um chuveiro, mas estou vivendo disso e de uma cesta que estão fazendo para mim”, disse.
O idoso se aposentou em 2008 como trabalhador rural, mas teve o benefício cortado em agosto de 2024, após a morte de uma pessoa na Bahia que utilizava indevidamente seus dados, conforme explicou o advogado Rafael Cesári, que representa José.
O INSS informou que a situação cadastral do CPF de José consta como “titular falecido” e que é necessário regularizar a situação junto à Receita Federal para reativar o benefício.
A primeira suspensão da aposentadoria ocorreu em 2021, quando José ficou mais de dez meses sem receber. O advogado Rafael Cesári explicou que um conflito no sistema do INSS misturou as identidades de José com outro homem da Bahia que recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Após a Justiça identificar o erro, o benefício foi restabelecido. Um novo processo foi aberto em junho de 2025 para solucionar a situação atual de José, mas o INSS ainda não reimplantou o benefício, mesmo após uma liminar judicial que estipulou multa diária por descumprimento.
Um laudo da Polícia Civil constatou que os dados de José Borges da Bahia estavam sendo utilizados indevidamente. Rafael acredita que o homem que usava os dados não tinha consciência do erro, já que ambos compartilham a mesma data de nascimento, nome dos pais e cidade de origem.


