A Prefeitura de Divinópolis está sob investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) devido a suspeitas de fraude em contratos que totalizam mais de R$ 37 milhões. A apuração começou após denúncias de que empresas prestadoras de serviço estavam recebendo tratamento diferenciado na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur).
A operação do MPMG também investiga o pagamento de propina que pode chegar a R$ 2 milhões. Quatro pessoas foram presas, incluindo dois empresários e dois servidores. As informações foram apresentadas em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (12), com a participação do assessor especial de Governo, Fernando Henrique, e do secretário de Governo, Matheus Tavares.
Fernando Henrique afirmou que as suspeitas surgiram a partir de relatos de cidadãos e servidores da própria secretaria ao gabinete do prefeito. “Algumas pessoas e também alguns servidores procuraram o gabinete do prefeito e relataram que algumas irregularidades, algumas coisas estranhas estavam acontecendo”, disse.
As denúncias indicavam que algumas empresas prestadoras de serviços ao Município recebiam vantagens indevidas, como pagamentos por serviços não realizados. “O que estava sendo relatado era que algumas empresas tinham vantagens indevidas, recebiam por serviços que não eram prestados”, completou Fernando.
As investigações focam contratos de fornecimento e locação de máquinas e caminhões utilizados em serviços urbanos. Segundo a apuração, as empresas contratadas eram pagas por uma quantidade de serviço maior do que a efetivamente realizada. Fernando Henrique destacou que, embora os contratos fossem firmados legalmente, as irregularidades poderiam ocorrer na fase de execução.
Matheus Tavares, que assumiu a secretaria interinamente após a denúncia, explicou que a administração buscou garantir a continuidade dos serviços com transparência. Ele mencionou que, após assumir, foi realizado um levantamento dos serviços prestados e dos contratos existentes, resultando em uma economia de quase R$ 20 milhões no último ano.
Durante a coletiva, Tavares confirmou a exoneração de uma servidora comissionada após recomendação do MPMG. “Fui ao Ministério Público hoje à tarde e recebi a recomendação de exoneração dessa servidora específica”, afirmou.
A administração municipal também anunciou a abertura de procedimentos internos para investigar possíveis irregularidades administrativas. Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) será instaurado para apurar a conduta dos servidores efetivos envolvidos na investigação. A Controladoria do Município realizará uma análise administrativa dos contratos investigados.
A operação, chamada de Ghost Machine, visa desarticular uma associação criminosa suspeita de atuar em esquemas de corrupção e fraude em licitações. A investigação teve início em março de 2025, após denúncia formalizada pelo Gabinete do Prefeito, e conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e das polícias Civil, Militar e Penal de Minas Gerais.

