Irã lança drones ‘suicidas’ de baixo custo em ataques no Oriente Médio

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Irã lançou mais de 2.000 drones de baixo custo contra alvos no Oriente Médio em uma tentativa de sobrecarregar as defesas da região. O ataque ocorreu seis dias após o presidente Donald Trump afirmar que os mísseis iranianos seriam ‘totalmente aniquilados’ durante os ataques aéreos dos Estados Unidos.

Os drones, conhecidos como Shahed, são projetados para causar danos significativos ao colidirem com seus alvos. O ataque mais letal até agora resultou na morte de seis soldados americanos em uma base no Kuwait. Os alvos incluem aliados dos EUA no Golfo Pérsico, embaixadas, infraestrutura energética, aeroportos e hotéis de luxo.

Alguns especialistas acreditam que a estratégia do Irã visa ‘impor o terror’ e pressionar os EUA a encerrar o conflito. Um vídeo mostra um drone iraniano atingindo uma instalação de radar da Quinta Frota da Marinha dos EUA em Manama, no Bahrein, enquanto outro vídeo registra um drone colidindo com um hotel em Palm Jumeirah, Dubai, gerando uma explosão.

Os ataques ao setor de energia têm sido particularmente impactantes, com a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita interrompendo a produção após um incêndio causado por destroços de um drone interceptado. O maior terminal de exportação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, também foi fechado após ser atacado.

O drone Shahed-136, fabricado no Irã, tem um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o que equivale a R$ 106,2 mil a R$ 266 mil. Ele é pré-programado para seguir uma rota definida até o alvo e possui um alcance máximo de 2.500 km, dificultando sua detecção por radares.

Esse modelo de drone foi utilizado pela Rússia na guerra da Ucrânia e agora os russos produzem suas próprias variantes. Mick Mulroy, ex-fuzileiro naval americano, afirmou que os drones ‘provaram ser altamente eficazes’ em conflitos anteriores, levando os EUA a desenvolver uma versão própria.

Os Emirados Árabes Unidos relataram que mais de mil drones iranianos foram disparados contra o país, com 71 conseguindo ultrapassar as defesas. A interceptação dos drones tem um alto custo, com mísseis disparados de caças ou sistemas de mísseis sendo utilizados para abatê-los.

Nicholas Carl, especialista em Irã, destacou que a estratégia iraniana visa forçar os EUA e seus aliados a utilizarem seus estoques de interceptores, além de impor terror e pressão psicológica. A produção de drones Shahed pelo Irã é significativa, mas não se sabe quanto desse estoque permanece após os ataques.

O almirante Cooper informou que o número de drones lançados pelo Irã caiu 83% desde o início dos combates, enquanto o uso de mísseis balísticos diminuiu 90%. Carl acrescentou que o Irã enfrenta dificuldades para manter seus ataques à medida que a pressão militar dos EUA e de Israel aumenta.

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