Iranianos relatam rotina sob bombardeios constantes dos EUA e Israel

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A capital do Irã, Teerã, está sob intenso ataque desde o dia 28 de fevereiro, quando bombardeios iniciados pelos Estados Unidos e Israel miraram instalações militares e políticas do regime islâmico.

“O número de explosões, a destruição, o que está acontecendo… é inacreditável”, afirmou um morador, identificado como Salar, por questões de segurança. Apesar de os alvos serem inicialmente militares, outras áreas também foram atingidas, resultando na morte de mais de 160 pessoas, incluindo crianças, quando uma escola para meninas foi atingida na cidade de Minab.

A Casa Branca declarou que investiga o incidente, mas reafirmou que não tem civis como alvo. Um residente de Teerã comentou que a situação atual é pior do que a vivida durante a Guerra de 12 Dias, em junho de 2025, entre Israel e Irã.

“Cada dia parece um mês”, disse Salar, ressaltando que o volume de ataques é extremamente alto. Ele relatou que um ataque aéreo recente fez sua casa tremer e que precisou deixar as janelas abertas para evitar que o vidro se quebrasse.

Com a dificuldade de acesso a informações devido a restrições impostas pelo regime, muitos iranianos têm permanecido em casa, saindo apenas para buscar suprimentos. O aumento da presença de segurança nas ruas é visto como uma resposta à dissidência após a morte do aiatolá Ali Khamenei, que ocorreu na primeira onda de ataques.

Um estudante de 25 anos em Teerã afirmou: “Há postos de controle por todos os lados. Eles estão com medo da própria sombra”. A situação econômica também se agravou, com o preço de itens básicos disparando e filas enormes por gasolina e pão.

Uma moradora da capital descreveu Teerã como “vazia”, com a maioria das lojas fechadas e algumas agências bancárias fora de serviço. “No primeiro dia, as pessoas estavam cantando palavras de ordem e todos pareciam felizes. Mas agora há forças policiais por todos os lados”, relatou.

Salar mencionou ameaças das forças de segurança contra aqueles que criticam o regime, com mensagens alertando que quem protestar será tratado com dureza. “Uma mensagem dizia que, ‘se algum de vocês sair e protestar, nós consideraremos vocês colaboradores de Israel'”, contou.

Kaveh, outro morador que teve seu nome alterado, vive em Zanjan, a cerca de 275 km de Teerã, e também foi alvo de bombardeios. Ele relatou que, após o início da guerra, o céu ficou encoberto por colunas de fumaça dos ataques, uma imagem que descreveu como “simultaneamente bela e aterrorizante”.

Salar enviou seus pais para o norte do país, mas não há certeza sobre quais cidades são seguras. Ele afirmou que sua mãe estava muito assustada e que os ataques atuais são piores do que qualquer coisa vivida durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980.

O acesso à internet tem sido severamente limitado, dificultando a comunicação entre os iranianos e seus familiares. Kaveh relatou que sua conexão foi interrompida no primeiro dia dos ataques e que ele e Salar estão utilizando VPNs para contornar as restrições do governo.

Ambos expressaram suas preocupações sobre o futuro, com Kaveh afirmando que a guerra “não vai terminar tão rapidamente quanto pensamos”, mas que sua esperança permanece forte. Salar, por sua vez, destacou que muitos estão sob forte estresse e que a situação é incompreensível para aqueles que estão fora do Irã.

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