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Jovem se apresenta à polícia após estupro coletivo e usa camiseta polêmica

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, se apresentou na 12ª Delegacia Policial (Copacabana) para prestar depoimento sobre sua participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele chamou a atenção ao usar uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“Não me arrependo de nada”) durante a sessão.

A frase é frequentemente utilizada por grupos misógenos que propagam discursos de ódio contra mulheres na internet. Os chamados “Red Pills” são os mais conhecidos nesse ambiente virtual, onde ideologias machistas são disseminadas com a justificativa de um “despertar para a realidade”, referência ao filme Matrix (1999).

O termo também é associado aos discursos do influenciador Andrew Tate, que acumula mais de 11 milhões de seguidores no X (antigo Twitter) e é réu por acusações de estupro, tráfico humano e exploração sexual.

Vitor Hugo é apontado como um dos participantes diretos do estupro coletivo em um apartamento em Copacabana. Ele era estudante do Colégio Pedro II, que já iniciou os procedimentos para seu desligamento. O apartamento onde o crime ocorreu pertence à família de Vitor Hugo, embora não fosse utilizado como residência habitual do grupo.

Ele foi reconhecido formalmente pela vítima por meio das imagens das câmeras de monitoramento. Quatro jovens se tornaram réus por estupro de uma menor de idade e por cárcere privado. As investigações incluem um adolescente de 17 anos, que se apresentou na 54ª DP (Belford Roxo) na tarde de sexta-feira (6).

A Justiça havia autorizado um mandado de busca e apreensão contra ele. Por se tratar de menor, o procedimento foi separado do inquérito principal e encaminhado ao MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). A polícia solicitou a apreensão do adolescente por ato infracional análogo ao crime investigado, e o órgão se manifestou favoravelmente à internação após novas denúncias.

Paralelamente, a Polícia Civil investiga relatos de pelo menos duas outras vítimas que relataram o mesmo modus operandi do grupo. A defesa de Vitor Hugo declarou que o jovem nega envolvimento no crime, mas confirmou que estava no apartamento onde o episódio ocorreu.

O advogado afirmou que o cliente não foi ouvido durante a fase de investigação e que tomou conhecimento de uma outra denúncia relacionada ao jovem, mas ainda não teve acesso ao conteúdo. A defesa de outro acusado, João Gabriel, informou que ele nega a acusação de estupro e confia na apuração dos fatos pela Justiça. O investigado permaneceu em silêncio durante o depoimento antes de ser encaminhado ao sistema penitenciário.

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