Uma jovem que viveu por mais de 3 anos em situação de rua conseguiu dar entrada em uma casa no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após um vídeo em que fala sobre a vulnerabilidade de mulheres nas ruas viralizar nas redes sociais. A gravação foi publicada pela atriz e comunicadora Anaterra Oliveira, alcançando mais de 8 milhões de visualizações.
Patrícia Cruz, de 28 anos, relata que sua mudança começou em janeiro, quando foi abordada por Anaterra para gravar um vídeo sobre sua experiência. Durante a entrevista, ela compartilhou que foi abusada sexualmente anos atrás em Duque de Caxias. “O carro parou, e eu me aproximei achando que era comida. Ele me jogou dentro do carro, não sei como ele fez aquilo tão rápido, e me levou para a Reduc. Lá, ele cometeu tudo que cometeu, me abusou, me agrediu. Eu fui abandonada nua, porque ele ficou com a minha roupa, na Rio-Petrópolis de madrugada”, relembra Patrícia.
Após o vídeo, Patrícia recebeu pouco mais de R$ 30 mil em doações. Ela conta como descobriu o valor: “Tinha um homem em Copacabana que sempre me dava R$ 20 para descarregar o carro dele na praia. Nisso, ele perguntou se podia me mandar em PIX e eu fiquei até com raiva porque ia precisar ir ao banco. Quando eu conferi o saldo e vi aquele dinheiro todo, achei que tinha algo errado.”
Com o dinheiro, ela comprou um telefone e começou a se movimentar para sair da rua. “A primeira coisa que eu fiz foi falar com a presidente da Associação [do Complexo do Lins] e com o dono dessa casa, pedindo ajuda para alugar um canto”, relata. O proprietário da casa foi quem a ajudou e incentivou, oferecendo a venda da casa. “Eu disse assim: ‘Você vai me vender essa casa?’. Eu ainda não tô nem acreditando porque tá tudo sendo muito rápido, muito rápido”, comemora.
Patrícia possui cursos técnicos de estética, massoterapia e designer de sobrancelhas. Ela trabalhou por cerca de 3 anos na área, mas perdeu tudo devido ao vício em drogas. “Eu perdi tudo, deixei tudo para trás, e ainda corro o risco de perder a guarda da minha filha mais nova, que confiei a duas pessoas nesse período”, lamenta. Atualmente, ela está em tratamento psicológico para lidar com a dependência.
A comunicadora Anaterra Oliveira afirmou que ver a mudança na vida das mulheres entrevistadas é gratificante. “Espero poder fazer isso por mais pessoas. Tem sido lindo ver que muitas vezes o que falta na vida de uma pessoa é a oportunidade.”
Patrícia, que está em busca de um emprego para restabelecer sua independência financeira, pretende atender clientes de estética em um quarto da casa enquanto não consegue voltar ao mercado de trabalho. “Daqui a 1 ano eu me enxergo com meu espaço de volta. Eu sonho com espaço de volta atendendo. De tudo que eu sei fazer, gosto mais de trabalhar com massagem e de micropigmentar”, afirma.


