A Justiça de Sorocaba (SP) determinou que o influenciador digital Elias Nogueira Gimenes, conhecido como Elias Motovlog, devolva mais de R$ 950 mil. O valor foi obtido com a monetização de vídeos que expunham crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A decisão, proferida no dia 2 de março pela 1ª Vara da Infância e Juventude, também impõe o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. Essa multa deve ser paga de forma solidária por Elias e pelas empresas Google, Facebook e TikTok.
Todo o valor será destinado ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Sorocaba. A Justiça ordenou a suspensão imediata de todas as contas e canais do influenciador, que não poderá criar novos perfis com o mesmo objetivo, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
As plataformas de tecnologia foram responsabilizadas por falha sistêmica e omissão, pois, segundo o juiz, lucraram diretamente com o conteúdo ilegal e não o removeram de forma eficiente.
O processo revelou que o influenciador seguia um roteiro sistemático nas ruas de Sorocaba, abordando crianças e adolescentes que vendiam doces e salgados em semáforos. Ele justificava as gravações como um “teste social de honestidade e generosidade”.
Durante as gravações, Elias pedia que os jovens contassem suas histórias de vida e dificuldades financeiras, publicando o material sem preservar a identidade dos menores, expondo seus rostos, nomes e idades. Uma de suas publicações atingiu 3,4 milhões de visualizações, onde simulou o roubo da mercadoria de adolescentes para testar suas reações.
A sentença classificou a prática como uma apologia ao trabalho infantil, elogiando os menores por trabalharem para sustentar a família, disfarçada como uma exaltação de “atitudes lindas”. Essa conduta foi considerada “pornografia da pobreza”, violando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O canal Elias Motovlog no YouTube conta com 914 mil seguidores, enquanto no Facebook são 2,1 milhões e no Instagram mais de 300 mil, com vídeos semelhantes aos citados no processo.
Elias Nogueira Gimenes afirmou que não grava há algum tempo e que não recorreria da decisão, mas posteriormente disse que não iria se manifestar. O Google informou que não comentaria sobre o caso, e TikTok e Facebook não se manifestaram até a publicação desta reportagem.


