A Justiça decidiu soltar o vereador Salvino Oliveira (PSD) do presídio de Benfica nesta sexta-feira, 13 de março de 2026. A liberação ocorreu após um pedido de habeas corpus feito pela defesa do político na quinta-feira, 12.
A decisão foi proferida pela 7ª Câmara Criminal, com a assinatura do desembargador Marcus Henrique Basílio. O magistrado afirmou que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão do parlamentar durante a investigação. Ele destacou que ‘a conversa entre terceiros em que seu nome foi envolvido ocorreu há mais de um ano’, o que, segundo ele, afasta a necessidade de contemporaneidade.
Salvino Oliveira foi preso na quarta-feira, 11, durante a Operação Contenção Red Legacy, que visa combater a estrutura nacional do Comando Vermelho. O vereador, que é aliado do prefeito e pré-candidato a governador Eduardo Paes, nega qualquer envolvimento com a facção criminosa. Ele afirmou que o Poder Judiciário ‘corrigiu uma injustiça’ e que os responsáveis ‘vão responder pelos seus atos’.
O político é investigado por supostamente ter ‘negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o ‘Doca’, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho’. Além disso, ele teria ‘articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local’, como a instalação de quiosques na região.
A investigação da Polícia Civil sobre o vereador começou em 2024, inicialmente para apurar atividades ilícitas relacionadas a empresas de exploração de internet no Complexo da Penha, sob o comando de Doca. Através da quebra de sigilo telefônico, foram encontradas conversas que indicam um envolvimento direto de Salvino com o grupo criminoso.
Além disso, a investigação financeira revelou movimentações atípicas na conta do vereador, incluindo R$ 100 mil recebidos em quatro meses, com 11 depósitos em dinheiro vivo. A Polícia Civil também identificou transações suspeitas realizadas por empresas ligadas ao assessor de Salvino.
Os investigadores acreditam que o pedido de prisão temporária visava evitar que o vereador interferisse nas investigações e destruísse evidências. Apesar da soltura, a Polícia Civil afirma que ainda existem mais provas não divulgadas que indicam ligações do parlamentar com a facção criminosa.
O prefeito Eduardo Paes, em uma manifestação pública, acusou o governador Cláudio Castro de usar a Polícia Civil para fins políticos. Ele expressou estranheza em relação à operação contra o vereador e criticou a conivência do governador com aliados envolvidos no crime.


