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Kleber Mendonça Filho leva universidade pública a Hollywood com ‘O Agente Secreto’

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O diretor de cinema Kleber Mendonça Filho está em Hollywood, onde participa da reta final da campanha ao Oscar de seu filme mais recente, ‘O Agente Secreto’. A cerimônia ocorrerá em Los Angeles, nos Estados Unidos, no próximo domingo (15).

O filme disputa quatro estatuetas e traz uma conexão com a educação ao utilizar a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde Kleber se formou em jornalismo, como parte do cenário da trama. O cineasta leva as câmeras para os corredores da universidade, onde começou sua trajetória nos anos 1980, elevando o ambiente acadêmico brasileiro ao cinema mundial.

O professor e pesquisador do curso de comunicação da UFPE, José Afonso Jr., que estudou com Kleber em 1988, destaca a importância dessa vivência acadêmica. “Entramos no mesmo ano e naquela época o interesse dele já era todo voltado para a questão do cinema ou da imagem em movimento”, recorda Afonso.

Em ‘O Agente Secreto’, a vivência acadêmica se materializa em locações como o Departamento de Oceanografia da UFPE, que serve de palco para cenas que envolvem o necrotério e a temática dos tubarões, inspirada na obra de Steven Spielberg e na história de Recife.

Para Afonso, o fato de o protagonista, interpretado pelo indicado ao Oscar Wagner Moura, ser um pesquisador universitário traz um simbolismo profundo sobre a proteção do conhecimento. “A universidade foi muito perseguida no regime e também no governo passado. No filme, ela aparece como um lugar de resistência”, analisa o professor.

Além da UFPE, o filme também foi gravado no Ginásio Pernambucano, o colégio público em atividade mais antigo do país, fundado em 1825, reafirmando o compromisso de Kleber com as instituições de ensino.

Apesar da projeção no festival de Cannes em 2025 e da corrida pelo Oscar, Kleber mantém laços com sua rede de formação e participa ativamente dos encontros anuais de sua turma de faculdade, tendo estado presente na última confraternização em dezembro de 2025.

Ao transformar Recife e suas instituições em um “estúdio” permanente, Kleber Mendonça Filho projeta as tensões contemporâneas a partir da memória de sua própria educação, mostrando que o caminho para o Oscar passou pelas salas de aula da universidade pública.

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