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Mãe desabafa sobre feminicídio de jovem de 18 anos em Divinópolis

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Dhandara Kellen Ferreira, de 18 anos, foi encontrada morta em um matagal no Bairro Paraíso, em Divinópolis, no dia 13 de setembro de 2025. Sua morte é um reflexo alarmante da crescente violência contra mulheres no Brasil, que em 2025 registrou quatro feminicídios por dia e dez tentativas de assassinato a cada 24 horas.

Os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que os feminicídios consumados em Minas Gerais cresceram 300% entre 2019 e 2025. O caso de Dandhara, que foi estrangulada, é um exemplo trágico dessa realidade. O principal suspeito é um adolescente de 17 anos com quem ela mantinha um relacionamento conturbado.

“Parece que depois do caso da minha filha começou a chover mulher morrendo. O ser humano perdeu o medo de matar”, desabafou Jannes Kellen, mãe de Dandhara. Ela descreveu a dor da perda e como a ausência da filha alterou a rotina da família. “É um buraco, um silêncio. Não ter ela mais. A casa ficou vazia”, afirmou.

A jovem, que ajudava a mãe a cuidar do irmão mais novo, João Henrique, de 12 anos, deixou um vazio emocional na família. Desde a morte da irmã, João apresentou mudanças de comportamento e precisou de atendimento psicológico. Jannes relatou que sua mãe, avó de Dandhara, também se fechou e está traumatizada.

“Eu e toda minha família fomos destruídos, fomos devastados. A gente segue porque tem que seguir, porque forças não existem”, disse Jannes, que voltou ao trabalho 20 dias após o crime. “Ainda assim, o choro é frequente. Foram 18 anos com minha filha, minha companheira”, lembrou.

Além da dor, o medo da violência se tornou parte da rotina. Jannes instalou câmeras em casa e expressou seu receio de relacionamentos futuros. “Se eu for namorar um dia, será cada um na sua casa”, afirmou. Ela acredita que o feminicídio é um reflexo de uma cultura de machismo que precisa ser enfrentada.

Dados da Sejusp revelam que em 2024 foram registrados 248 feminicídios consumados e 169 tentados em Minas Gerais. Em 2025, os números apontam 177 casos consumados e 207 tentados. Divinópolis, em particular, é considerada a cidade mais perigosa para mulheres na 7ª Região Integrada de Segurança Pública, representando 13,4% dos feminicídios tentados e 16,88% dos consumados na região entre 2019 e 2025.

““Quando um feminicídio acontece, muitas vezes a sociedade reage como se fosse um caso isolado. Esses crimes são resultado de uma cultura que historicamente coloca as mulheres em posição de vulnerabilidade”, destacou a psicóloga Marina Saraiva.”

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