A mãe do menino Adam, Karin Rachel Aranha Toledo, solicitou à Justiça Federal de São Paulo a quebra de sigilo telefônico, telemático e de e-mails de Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg, pai da criança. O pedido visa rastrear o homem após duas tentativas frustradas de recuperar a guarda do garoto, que foi retirado do Brasil sem permissão em 2022.
A técnica de rastreamento utiliza dados de GPS, redes de celular e acessos à internet para reconstruir a linha do tempo de deslocamentos de Ahmed. O perito Ricardo Caires explicou que esse cruzamento de dados pode ajudar a mapear padrões de deslocamento e formar um cerco nas áreas onde o pai pode estar mantendo a criança.
O pedido de quebra de sigilo aguarda análise da Justiça Federal. Se autorizado, será enviado aos órgãos internacionais responsáveis pela cooperação com o Egito, que decidirão sobre a execução da medida.
Karin morava em Valinhos (SP) com Adam e o então marido, Ahmed. Em setembro de 2022, ao retornar de uma viagem à Europa, ela descobriu que o homem havia viajado para o Egito com o menino, que na época tinha 4 anos, sem aviso e sem autorização.
No Brasil, o caso foi investigado pela Polícia Federal e, em 2023, a Justiça Federal de Campinas determinou a prisão preventiva de Ahmed. Em novembro de 2025, Karin conquistou a guarda do filho em uma sentença do Tribunal de Apelações do Cairo.
O advogado de Karin, Rafael Paiva, afirmou que o Egito tem criado dificuldades para cumprir as medidas judiciais, incluindo o mandado internacional de prisão contra Ahmed. Ele destacou que todas as decisões judiciais reconhecem o direito de guarda de Karin, mas a execução prática das medidas pelas autoridades egípcias tem sido um entrave.
Após as duas tentativas de busca por Adam no Egito, os advogados de Karin apresentaram queixa contra o pai e a avó paterna na Justiça egípcia, alegando contravenção penal pela recusa em entregar o garoto à mãe. A defesa acredita que é improvável que o pai tenha deixado o Egito, pois há uma proibição de viagem em vigor.
A sentença do Tribunal de Apelações do Cairo reverteu uma decisão anterior que havia transferido a guarda de Adam para a avó paterna. Os juízes afirmaram que as acusações contra Karin eram baseadas em boatos e que ela não representava risco à formação religiosa da criança, já que se converteu ao Islã em 14 de julho de 2024.
““A entidade responsável pela implementação deve agir mediante solicitação, e a autoridade competente deve auxiliar na sua execução, inclusive com o uso da força, se solicitado”, diz o texto da sentença.”


