O jornalista e escritor Mario Sabino afirmou que o chamado ‘mito da imparcialidade’ tem causado prejuízos ao jornalismo contemporâneo. A declaração foi feita durante sua participação no programa WW Especial, que debateu a cobertura das eleições sob o ponto de vista da mídia tradicional e das redes sociais.
Segundo Sabino, a tentativa de aparentar neutralidade absoluta pode levar veículos de imprensa a ‘esconder o lado’, o que compromete a transparência e a confiança do público. ‘Esse mito da imparcialidade, de fato, acho que tem sido muito danoso para o jornalismo’, disse.
Para ilustrar sua crítica, o jornalista citou a cobertura de grandes veículos internacionais, como o jornal The New York Times. Ele mencionou diferenças de tratamento editorial em casos envolvendo figuras públicas, como a mulher do atual prefeito de Nova York, Rama Duwaji, que ‘praticamente não foi tratada’ pelo jornal, enquanto a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, recebeu uma cobertura mais intensa. ‘Pau puro (sic)’, afirmou.
Sabino destacou que esse tipo de abordagem é percebido pelo público e afeta a credibilidade da imprensa. ‘É óbvio que o leitor percebe isso’, disse, acrescentando que esse comportamento não se restringe a um único veículo ou país. ‘Estou dando um exemplo entre milhões de exemplos de todos os jornais, de todos os países, pelo menos os países democráticos.’
O jornalista defendeu que é possível conciliar objetividade com opinião, desde que haja clareza na separação entre ambos. ‘Dá para ter objetividade ao mesmo tempo que você tem opinião. Se você não modifica o fato, não distorce o fato, dá a notícia e aí você diz: “Olha o que que eu acho disso?”’.
Sabino ressaltou que o problema não está na existência de opinião, mas na falta de transparência sobre ela. Para ele, o público é capaz de distinguir os dois campos quando isso é feito de maneira honesta. ‘O leitor vai entender o que é opinião e o que que é fato’, ressaltou.
Por fim, ele alertou que tanto a falsa imparcialidade quanto a mistura indistinta entre notícia e análise podem ser prejudiciais. ‘Misturar também pode ser muito ruim, pode ser tão danoso quanto o mito da imparcialidade’, concluiu.

