O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou nesta quarta-feira (18) a existência de bases chinesas em território brasileiro. Durante audiência na Câmara dos Deputados, ele afirmou que as alegações se tratam de ‘desinformação baseada em suspeitas infundadas’.
Um relatório de um comitê da Câmara dos Estados Unidos alegou que a China teria estabelecido uma rede de infraestrutura espacial na América Latina para vigilância de adversários e para potencialmente fortalecer suas capacidades militares no futuro. Vieira declarou que as referências ao Brasil são ‘imprecisas e inconsistentes’.
“‘Não existe estação, nem antena, nem operação chinesa, nem parceira militar, nem qualquer elemento que justifique as ilações descritas no relatório ou nas denúncias subsequentes. Estamos falando, portanto, de especulações derivadas de notícias de internet, cujos conteúdos foram descontextualizados e distorcidos’, afirmou Vieira.”
O ministro explicou que a suposta estação em Tucano, na Bahia, é um projeto de uma empresa privada de tecnologia, a Alya Space, que teria negociado um memorando preliminar de cooperação com empresas de outros países, incluindo a China e os Estados Unidos, mas que não avançaram. Vieira descreveu a empresa como uma ‘startup embrionária e autofinanciada’ com sede em Salvador, que ainda está em processo de outorga na Anatel.
Ele ressaltou que a suposta estação não possui contratos, operação ou infraestrutura associada. ‘O relatório trata de cooperação científica brasileira com suspeição e desconhecimento técnico avalizando viés geopolítico ultrapassado, segundo o qual a América Latina e o Caribe seriam mero quintal ou áreas de influência dos Estados Unidos’, disse.
“‘Permitam-me tranquilizar os membros desta comissão de que as ilações apresentadas no referido relatório não passam de desinformação baseada em suspeitas infundadas’, acrescentou o ministro.”
Vieira foi convocado para comparecer na Comissão de Relação Exteriores da Câmara, com presença obrigatória. Na reunião, ele também foi questionado sobre a posição do Brasil em relação ao conflito no Irã, reforçando a defesa de uma solução mediada pela diplomacia e diálogo. Antes, nesta manhã, o chanceler participou de reunião da Comissão de Relação Exteriores do Senado.


