O Memorial do Holocausto reabre ao público na próxima quinta-feira, 12 de março de 2026, no Rio de Janeiro, com uma homenagem a mulheres que lutaram contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
A mostra temporária “Faces da resistência, as mulheres no Holocausto” é um projeto mundial do Hashomer Hatzair, movimento judaico fundado em 1913 na Europa. A exposição já passou por países como Estados Unidos, México e Argentina, e ficará disponível por um mês no espaço recuperado.
A mostra apresenta a trajetória de 20 personalidades que tiveram forte atuação durante o período mais sombrio do século XX. O memorial, localizado no Parque do Pasmado, em Botafogo, foi inaugurado pela primeira vez em dezembro de 2022, com financiamento de empresas da comunidade judaica.
“Faces de Resistência” recupera registros, cartas e entrevistas, destacando mulheres do Hashomer Hatzair, que historicamente tiveram menos visibilidade em comparação aos homens que enfrentaram os nazistas.
Entre as personalidades homenageadas está Frieda Belinfante (1904-1995), violoncelista e maestrina holandesa, judia e lésbica, que se disfarçou de homem para enganar os nazistas enquanto falsificava documentos e buscava esconderijos para perseguidos. Ela precisou se esconder devido às execuções de pessoas LGBTQIA+ a mando das autoridades ocupantes.
Outra mulher notável é Haviva (Marta) Reik (1922-1944), da Eslováquia, que atuou como paraquedista no front e foi capturada e executada enquanto realizava atividades de socorro. Vitka Kempner-Kovner (1920-2012), polonesa, foi responsável pela explosão de um trem alemão, marcando o primeiro ato de sabotagem do movimento clandestino.
A lista inclui também Zivia Lubetkin (1914-1976), que liderou um grupo de combatentes que escaparam pelos esgotos do Gueto de Varsóvia, e Friedl Dicker-Brandeis (1898-1944), uma artista que incentivou crianças judias no gueto de Theresienstadt a expressarem seus sentimentos por meio da pintura, antes de ser assassinada em Auschwitz.
O memorial estava fechado desde o final de 2024 e, no último domingo, no Dia Internacional da Mulher, foi palco de um evento simbólico. A escritora Rolande Fischberg, sobrevivente do Holocausto, teve sua história contada no percurso permanente do espaço. Ela afirmou: “Como sobrevivente, faço muitas palestras em escolas e universidades. Mas é diferente quando você convida uma turma para conhecer in loco outras histórias e testemunhos. É muito importante esse lado educativo do memorial, que eu vejo como uma oportunidade para as escolas.”
O percurso do memorial é dividido em três módulos permanentes: a vida antes do Holocausto, o período do genocídio e a resiliência/pós-guerra. O primeiro módulo mostra como era a vida antes do conflito, abrangendo não apenas judeus, mas também ciganos, deficientes físicos, comunistas e populações LGBTQIA+.
O segundo módulo retrata a tragédia do Holocausto, onde 11 milhões de pessoas, incluindo seis milhões de judeus, perderam a vida. O espaço é uma aula sobre as transformações sofridas por essas populações com a ascensão do nazismo na Alemanha.
A última parte do memorial foca na vida após o Holocausto, enfatizando a resiliência humana e a importância de evitar que a história seja esquecida. O memorial funcionará de quinta a domingo, das 10h às 17h, no Parque Yitzhak Rabin, no Mirante do Pasmado, com entrada gratuita.


