Ministério da Defesa deve esclarecer suspeitas sobre base secreta da China no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Ministério da Defesa terá que prestar esclarecimentos à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados sobre as relações entre Brasil e China. O questionamento surge após um relatório de congressistas dos Estados Unidos que menciona uma possível base militar secreta na Bahia.

Os deputados buscam informações sobre o Tucano Ground Station, que, segundo os americanos, seria a única base militar chinesa “não oficial” na América do Sul. O relatório destaca que as implicações militares são acentuadas pelos laços formais do projeto com as instituições de defesa brasileiras.

A Alya Nanosatellites assinou um memorando de entendimento com o Departamento de Tecnologia e Ciência da Força Aérea Brasileira. Este acordo inclui o treinamento de pessoal militar em simulação de órbita e a utilização de antenas da Força Aérea como backup para a base de Tucano.

O documento dos congressistas americanos afirma que essa integração oferece à China um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira. Além disso, menciona que a China poderia desenvolver uma capacidade de vigilância de alta revisitação, permitindo identificar ativos militares camuflados e rastrear objetos espaciais estrangeiros em tempo real.

Os congressistas também afirmam que o espaço opera na Ayla Space, uma empresa brasileira do setor aeroespacial que colabora com a chinesa Beijing Tianlian Space Technology para análise de informações de satélites.

O pedido de esclarecimentos foi aprovado na Comissão a partir de uma requisição do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP). Ele comentou que o relatório do Comitê Seletivo do Congresso dos EUA sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista Chinês analisa como a República Popular da China está expandindo sua infraestrutura espacial na América Latina.

O documento sugere que a China utiliza projetos civis e comerciais como fachada para fortalecer a Consciência de Domínio Espacial (CDE) do Exército de Libertação Popular. O relatório também menciona supostas bases chinesas em outros países sul-americanos, como a Argentina, mas classifica apenas a base no Brasil como “não oficial”. O Brasil é citado quinze vezes no documento, enquanto “brasileiros” aparece sete vezes.

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