O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou na segunda-feira (16) o dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior pelo crime de estupro de vulnerável. O caso tramita sob sigilo. O dentista foi preso no início de março, em Teixeira Soares, nos Campos Gerais do Paraná, e é suspeito de ter estuprado uma familiar, que era criança na época, em uma chácara.
A prisão do dentista resultou em mais vítimas se apresentando à polícia, relatando abusos sexuais cometidos por ele. A investigação da Polícia Civil concluiu que Luis abusou sexualmente de ao menos dez crianças e adolescentes, mas a denúncia do MP considerou apenas os crimes contra uma das vítimas.
Segundo o MP, a vítima tinha dez anos em outubro de 2009, quando os abusos ocorreram. O dentista teria cometido outros atos libidinosos em duas ocasiões anteriores, que não foram detalhadas. A relação de autoridade e familiaridade foi apontada como um fator que facilitou os abusos.
Em uma das ocasiões, a vítima acordou com Luis tocando suas partes íntimas. Outros abusos ocorreram enquanto assistiam a filmes ou estavam na piscina da chácara. A defesa de Luis Alberto Pohlmann Júnior não se manifestou até a última atualização.
Durante as investigações, outras mulheres do círculo familiar também relataram situações semelhantes vividas na infância. A promotora de Justiça Raisa Cruz Braga afirmou que esses relatos indicam um padrão de comportamento, mas os crimes não puderam ser incluídos na denúncia devido à prescrição.
A legislação vigente desde 2012 estabelece que a contagem para prescrição de crimes sexuais contra crianças e adolescentes começa a partir dos 18 anos da vítima. Assim, crimes anteriores à mudança na lei seguem a regra anterior, que considera a data do crime.
A promotora destacou que o silêncio das vítimas é comum e muitas só conseguem relatar os abusos na vida adulta. O MP se colocou à disposição para ouvir outras possíveis vítimas ou pessoas com informações sobre casos semelhantes.
Além disso, Luis Alberto Pohlmann Júnior é réu em outra ação por ter abusado de uma paciente enquanto ela estava anestesiada em 2022, em seu consultório em Curitiba. A vítima relatou que, após a anestesia, o dentista começou a esfregar suas partes íntimas em seu braço e acariciou seus seios sob o pretexto de secá-la. O processo ainda está em tramitação na Justiça.


