Advogado confirma morte de Luiz Phillipi Mourão, o ‘Sicário’ de Vorcaro

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como ‘Sicário’ e apontado pela Polícia Federal como executor de intimidações a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, faleceu na noite de sexta-feira, 6, no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. A confirmação da morte foi feita por seu advogado, Robson Lucas da Silva.

Segundo nota enviada pela defesa, ‘O quadro clínico de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica’. Mourão estava internado desde quarta-feira, 4, após uma tentativa de suicídio na prisão, onde se encontrava detido no âmbito da Operação Compliance Zero.

O advogado informou que o protocolo de morte encefálica foi iniciado na manhã de sexta-feira. O corpo de Mourão será encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos legais. A notícia sobre sua morte gerou confusão, pois inicialmente, na noite de quarta-feira, a Polícia Federal havia divulgado que Mourão havia cometido suicídio em sua cela na Superintendência da PF em Minas Gerais, sendo encontrado desacordado e socorrido.

A nota oficial da Polícia Federal indicava o óbito, mas horas depois, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais contradisse a informação, afirmando que a morte não estava confirmada e que Mourão seguia internado em cuidados intensivos no CTI do Hospital João XXIII. Por volta das 21h45 daquela noite, o hospital informou que estava iniciando o protocolo para confirmar a morte cerebral, deixando o desfecho em suspenso.

Mourão, preso na mesma operação que Vorcaro, era acusado de liderar um grupo que monitorava e planejava ações de intimidação contra adversários do banqueiro. Investigações da Polícia Federal revelaram mensagens no celular de Vorcaro que indicavam a participação de Mourão em planejamentos violentos, incluindo um plano para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O banqueiro negou as acusações, alegando que as mensagens foram tiradas de contexto e que jamais teve intenção de ameaçar jornalistas.

Além do envolvimento no esquema de intimidação, Mourão possuía um histórico criminal e era réu em outra investigação por lavagem de dinheiro e organização criminosa em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público estadual, ele integrava um esquema de pirâmide financeira que, entre 2018 e 2021, atraía investidores de todo o país por meio de anúncios falsos na internet e empresas de fachada.

As investigações apontaram movimentações financeiras atípicas de Mourão, que chegou a movimentar R$ 24,9 milhões em uma única conta bancária em 2021. A Polícia Federal informou que está apurando as circunstâncias da morte de Mourão, garantindo que todo o atendimento foi filmado e será investigado conforme o protocolo. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as imagens não possuem pontos cegos e que a investigação é de praxe em situações como essa.

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