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MP investiga corrupção em compra de mansão de R$ 4 milhões no Ceará

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma mansão em um condomínio de luxo à beira-mar, localizado em Fortim, Ceará, é alvo de uma investigação do Ministério Público que envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 4 milhões, é considerado um dos principais indícios de um suposto esquema que beneficiou o prefeito de Ananindeua (PA), Daniel Santos (PSB).

De acordo com os investigadores, o pagamento da mansão foi realizado por empresas e pessoas ligadas ao município do Pará, em uma espécie de “vaquinha da corrupção”. O condomínio abriga imóveis de alto padrão e a casa investigada, que funcionava como “casa modelo” no lançamento do empreendimento, é a número 4, próxima à portaria.

O contrato de compra e venda foi feito em nome da empresa Agropecuária JD, pertencente ao prefeito. O Ministério Público aponta que a aquisição da casa faz parte de um esquema maior de corrupção, onde dinheiro público destinado à educação, saúde e infraestrutura em Ananindeua foi desviado para pagar bens pessoais do prefeito.

As investigações revelaram um padrão nas movimentações financeiras: empresas recebiam pagamentos da prefeitura e, em seguida, transferiam valores para quitar parcelas do imóvel. Um exemplo é a empresa Neo BRS, fornecedora de materiais escolares, que emitiu notas fiscais totalizando R$ 1.488.137. Após o pagamento pela prefeitura, a empresa transferiu R$ 866 mil para a compra da casa no Ceará.

Outro caso citado envolve a Ferreira Comercial, que vende produtos de limpeza. Em outubro de 2024, a empresa emitiu uma nota fiscal de R$ 521 mil, e horas após o pagamento pela prefeitura, transferiu R$ 250 mil para a mansão. O Ministério Público também investiga a participação de pessoas ligadas à administração municipal, como o vereador Alexandre Gomes, que fez depósitos para a casa logo após assumir a Secretaria de Habitação.

O procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, afirmou que a investigação busca entender a evolução patrimonial do prefeito, considerada incompatível com sua renda declarada. Entre os pagamentos investigados estão despesas pessoais do gestor, como combustível e parcelas de uma aeronave particular avaliada em R$ 10,9 milhões.

Durante as buscas, foram encontrados R$ 4,1 milhões em relógios de luxo em um apartamento ligado ao prefeito em Fortaleza, além do contrato de compra da casa em Fortim. O Ministério Público pediu o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em bens do prefeito, que declarou um patrimônio de R$ 4,8 milhões em 2024.

A investigação, que inicialmente tramitava na Justiça do Pará, foi levada ao Supremo Tribunal Federal após a defesa do prefeito tentar incluir sua esposa, a deputada federal Alessandra Haber (MDB), no processo. Promotores afirmam que ela não é investigada. Após operações policiais, o prefeito tentou transferir a casa para o nome da esposa, mas a escritura não foi concluída devido à necessidade de comprovar a origem do dinheiro usado na compra. A defesa de Daniel Santos pediu ao STF a anulação das investigações, e o ministro Alexandre de Moraes suspendeu temporariamente o processo.

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