MP de São Paulo cumpre mandados contra delator da Lava Jato e ex-contadora

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

O Ministério Público de São Paulo cumpriu dois mandados de prisão nesta quinta-feira (5) contra um delator da Operação Lava Jato e uma ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, durante uma operação contra corrupção na Polícia Civil de São Paulo. A ação contou com o apoio da Polícia Federal.

No total, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva durante a Operação Bazaar, resultando na prisão de nove pessoas. Meire Poza, ex-contadora de Youssef, foi detida, enquanto o empresário Leonardo Meirelles não foi encontrado e está foragido. Ambos também foram alvos de mandados de busca e apreensão.

Segundo a investigação, Meire Poza e Leonardo Meirelles são figuras conhecidas entre os “lavadores de dinheiro” no Brasil e, junto com Alberto Youssef, condenado na Lava Jato, formaram um dos maiores grupos de lavagem de dinheiro do país. A decisão judicial que autorizou a operação menciona um “elevado grau de prática de corrupção sistêmica” entre policiais do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) e do 16° DP (Vila Clementino).

A investigação aponta um “amplo e estruturado esquema de corrupção policial” voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. O grupo era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com histórico de lavagem de capitais.

Dentro do esquema revelado pelo MPSP, Meirelles e outros membros da organização criminosa efetuavam pagamentos a policiais civis de delegacias especializadas e distritais, buscando retardar ou impedir o andamento de investigações sobre suas atividades. O MP afirma que o objetivo dos corruptores foi alcançado, já que, apesar de seus atos serem amplamente conhecidos, os policiais civis nunca foram responsabilizados.

A investigação do MPSP indica que, desde outubro de 2022, Meirelles e outros acusados realizaram diversos pagamentos a policiais do Deic. Em 11 de julho de 2023, um membro da organização teria pago um valor a um delegado para resolver um “problema do DPPC” relacionado a Meirelles. Elementos colhidos em outubro e novembro de 2023 indicam que ele fornecia “consultoria” de práticas criminosas a policiais.

Em 22 de novembro de 2023, a Polícia Federal apreendeu R$ 1.246.672,00 de Meirelles durante a Operação Recidere, evidenciando sua intermediação nas transações financeiras relacionadas aos investigados. O MPSP cita uma matéria de 2016 que aponta que Meirelles movimentou mais de US$ 140 milhões em propinas, realizando quatro mil operações financeiras no exterior a pedido de Youssef.

““Há conversa expressa em que se menciona um acordo dentro da organização criminosa formada, em tese, por policiais civis e outros indivíduos, para possivelmente livrar MEIRE POZA de algum procedimento instaurado no DPPC”, aponta a decisão pela prisão.”

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello afirmou que a prisão preventiva de Meire Poza foi “imperiosa”, já que ela “pratica atos de lavagem de dinheiro para criminosos há décadas”. O documento menciona que Meire foi presa em uma operação da Polícia Federal em 2018, relacionada a fraudes em institutos de previdência municipal, com um prejuízo estimado em R$ 1,3 bilhão.

Durante a Operação Bazaar, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, incluindo em delegacias de polícia, além de 11 mandados de prisão e seis mandados de intimação. Entre os presos, estão quatro policiais: dois investigadores, um escrivão e um delegado. O MPSP afirma que a organização atuava coordenadamente para garantir a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes.

A operação é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, que determinou a realização de correições extraordinárias em todas as unidades policiais envolvidas.

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