Lauren Macpherson, de 29 anos, descobriu que tinha câncer cerebral terminal após uma mala de 16 kg cair de um compartimento de bagagem e atingi-la na cabeça durante uma viagem de trem de Londres para Cardiff, no País de Gales, no dia 17 de março de 2026.
A jovem havia passado o feriado em um festival de música e estava comemorando sua promoção no trabalho e a compra de sua primeira casa com o namorado, Zak. O acidente levou à realização de exames que revelaram uma sombra em seu cérebro.
Após o impacto, Macpherson foi levada ao hospital para verificar possíveis fraturas na coluna. Durante os exames, os médicos identificaram um tumor cerebral. “É como se o chão simplesmente desaparecesse sob seus pés. Você não sabe o que fazer, é horrível”, afirmou.
Antes do acidente, Macpherson já enfrentava sintomas como desregulação emocional e fadiga extrema, que foram atribuídos a hormônios ou a um transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) não diagnosticado. Ela procurou seu clínico geral três vezes devido a problemas intestinais e desmaios.
Após a tomografia, os médicos suspeitaram que ela tinha glioblastoma, um tumor de crescimento rápido que poderia significar apenas dois anos de vida. “Não esperávamos isso de jeito nenhum. Então a ficha caiu e é quando você pensa: ‘Meu Deus, pode ser que eu tenha só dois anos'”, disse Macpherson.
Ela foi informada sobre a necessidade de uma cirurgia para retirar o tumor, mas a espera pelo procedimento no NHS (sistema público de saúde britânico) levaria cerca de quatro meses. Optando por um tratamento privado, Macpherson conseguiu reduzir o tempo de espera para três semanas.
Após a cirurgia, realizada no fim de outubro, os médicos removeram cerca de 80% do tumor, que foi confirmado como um oligodendroglioma de grau 2. “Foi quase como se alguém tivesse me dado um cérebro novo. Foi muito estranho, nada fazia sentido”, relatou.
O tumor estava localizado no córtex da fala, o que resultou em dificuldades de comunicação e perda de funções cognitivas. Macpherson passou por um tratamento de fertilidade antes de iniciar o uso do medicamento vorasidenibe, que foi aprovado no Brasil em agosto de 2025 para tratar tumores cerebrais.
Ela criou uma página no Instagram para compartilhar sua experiência e aumentar a conscientização sobre a doença. Macpherson também está fazendo campanha para que o vorasidenibe seja disponibilizado no NHS do País de Gales, onde ainda não está disponível.
Os tumores cerebrais são a principal causa de morte por câncer entre pessoas com menos de 40 anos no País de Gales, e a organização Brain Tumour Research afirma que a doença recebeu apenas 1% dos investimentos em pesquisa sobre câncer no Reino Unido desde 2002.


