A jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, militante feminista da União de Mulheres de São Paulo, afirmou que as mulheres estão perdendo o direito de ir e vir, um direito fundamental garantido pela Constituição. A declaração foi feita em meio ao aumento da violência contra mulheres no Brasil, especialmente em São Paulo, que registrou recordes de feminicídio.
Em 2025, o estado contabilizou 270 assassinatos de mulheres por violência de gênero, o maior número desde o início da série histórica em 2018. Esse total representa um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando foram registrados 253 casos. Amelinha expressou preocupação com a insegurança, afirmando: ‘Ficamos com medo de sair. Estamos até fazendo grupos para sair, porque, sozinha, está difícil.’
Amelinha participou da Audiência Pública Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada pela Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica da Capital, do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ela citou a pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, que revelou que sete em cada dez mulheres relataram ter sofrido algum tipo de assédio moral ou sexual.
Ela lembrou que, há 20 anos, com a promulgação da Lei Maria da Penha, havia esperança de que as mulheres que denunciassem teriam proteção. No entanto, Amelinha lamentou que a realidade atual é diferente. ‘Está faltando fiscalização, acompanhamento. Tem que ter um serviço qualificado, com pessoal qualificado para poder atender a essa mulher e acompanhar cada caso’, disse.
A ativista destacou que, mesmo com medidas protetivas deferidas pela Justiça, muitas mulheres continuam a ser vítimas de feminicídio. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelou que uma em cada cinco vítimas de feminicídio na cidade de São Paulo (21,7%) tinha medida protetiva. Entre setembro de 2023 e março de 2025, foram registradas 83 vítimas na capital, das quais 18 tinham obtido medida protetiva urgente.
Amelinha também criticou o isolamento do movimento feminista pelo poder público no combate à violência de gênero, afirmando: ‘Está faltando democracia nesse estado e nessa cidade’. Ela ressaltou que as mulheres estão com medo de procurar os serviços, que estão sucateados e com poucos funcionários em relação à demanda. A Agência Brasil solicitou um posicionamento do governo de São Paulo, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.


