O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) articula uma reação à eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara. Hilton, que foi eleita em meio a protestos na última quarta-feira, 11, é a primeira mulher trans a ocupar o cargo.
Nas redes sociais, Nikolas divulgou um abaixo-assinado que solicita aos líderes partidários e ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se oponham ao que ele classifica de “escolha absurda” que “fere os direitos das mulheres”. O documento já reunia 195.000 assinaturas na tarde desta sexta-feira, 13, e defende que a condução dos trabalhos do colegiado deve priorizar temas como saúde da mulher e combate à violência doméstica.
O abaixo-assinado também destaca a perda de espaço de mulheres para homens em diversas esferas da sociedade. Nikolas pediu que as deputadas obstruam a comissão em protesto. “As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão de mulheres acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso”, escreveu no X (antigo Twitter) na quinta, 12.
No mesmo dia, o deputado publicou um vídeo extenso expondo os motivos de sua oposição à eleição de uma mulher trans para presidir a Comissão dos Direitos das Mulheres. Ele compartilhou um trecho de seu discurso de 2023, no qual aparece de peruca e se apresenta como “Nicole”, protestando contra o que chama de “ideologia de gênero”. “As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”, afirmou.
Nikolas também criticou Hilton, dizendo que ela começou seu mandato insultando as mulheres ao afirmar: “A opinião de transfóbicos e imbeCIS pouco me importa”. O termo “cis” refere-se a pessoas cisgênero, cuja identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído ao nascimento.
O deputado argumentou que Hilton não representa a maioria das mulheres do país ao priorizar pautas que considera pessoais. “Ela disse que ‘Hoje fiz história por mim, pela minha comunidade’. Então se você é trans e fez história pela comunidade trans, deveria estar na comissão trans, e não da mulher”, declarou.
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara com 11 votos em uma votação que teve chapa única. O quórum foi de 21 deputados, com 11 votos favoráveis e 10 em branco. Parlamentares da direita votaram em branco como forma de protesto, argumentando que Hilton, por não ser uma mulher cisgênero, não pode representar os anseios do público feminino no Brasil.
A deputada Clarissa Tércio (PP-PE), que integra a comissão, manifestou-se contra a vitória de Hilton, afirmando: “Não tenho como parabenizar o que aconteceu aqui hoje. Como posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo? Essa comissão nasceu para dar vozes às mulheres. Porque só quem vive essa realidade é que tem propriedade pra falar sobre elas.”
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) também apoiou a crítica à representatividade de Hilton, levantando a possibilidade de que a comissão se torne um “palanque político”. “Preciso lamentar, porque, na condição de mulher, não me representa”, disse.


