A nomeação do delegado da Polícia Federal Fábio Shor para o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acendeu um alerta entre os magistrados da Corte. Desde o ano passado, especulações indicam que grupos da PF têm ocupado posições estratégicas, o que poderia influenciar decisões sensíveis que impactam a classe política, como as relacionadas ao Banco Master e ao escândalo do INSS.
No gabinete do ministro André Mendonça, por exemplo, está lotado desde outubro o delegado Thiago Marcantonio Ferreira, ex-diretor de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça. O ex-diretor-geral da PF Paulo Maiurino também é próximo do ministro Dias Toffoli, embora não esteja formalmente cedido ao Supremo.
Integrantes do tribunal avaliam que a presença de policiais no STF pode servir para analisar dados sensíveis de investigações em andamento, como quebras de sigilo de investigados, e para tentar influenciar juízes em medidas judiciais mais drásticas, como ordens de prisão. O tribunal ainda não superou a entrega de um relatório pelo diretor-geral da PF Andrei Rodrigues ao presidente do Supremo Edson Fachin, que listava possíveis conexões do ministro Toffoli com o Banco Master.
Interlocutores de Daniel Vorcaro mapearam encontros entre Rodrigues e o banqueiro, incluindo uma degustação de whisky em Londres que custou 640.000 dólares, aproximadamente 3,3 milhões de reais.
Um dos receios expressos pela presença de delegados no tribunal é que o ministro André Mendonça possa ser persuadido a decretar a prisão do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. Lulinha é mencionado no escândalo do INSS e teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem de Mendonça, que é relator do inquérito sobre a participação de entidades sindicais e lobistas no desconto ilegal de vencimentos de aposentados e pensionistas.
A comissão parlamentar mista de inquérito do INSS, que também investiga o esquema, aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha, mas a decisão foi barrada pelo ministro do STF Flávio Dino. Quando a ordem de Dino foi submetida aos demais ministros na sexta-feira, 13, ele pediu destaque da votação em Plenário Virtual, o que implica que o caso terá que ser reavaliado no futuro em Plenário físico, onde os votos são públicos e televisionados.
Interlocutores da Corte identificaram uma estratégia: sem um prazo definido para a apreciação do caso, permanece a proibição de acesso dos parlamentares aos dados de Lulinha. Se não houver prorrogação, a CPMI será encerrada no próximo dia 28 de março, sem acesso amplo às movimentações financeiras do filho do presidente.


