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Segurança

Nove pessoas são presas em operação contra corrupção na Polícia Civil de SP

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 17:22
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Nove pessoas foram presas nesta quinta-feira (5) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil. Entre os detidos, estão quatro policiais civis suspeitos de integrar um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

Os policiais civis presos são os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, e Rogério Coichev Teixeira, do Serviço Aerotático. Também foram detidos o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz e o delegado João Eduardo da Silva, ambos lotados na Delegacia do Jabaquara. Os quatro policiais foram encaminhados à Corregedoria da Polícia Civil.

Entre os presos, está a doleira Meire Poza, que já havia sido alvo da Operação Lava Jato. Ela é apontada como responsável pela contabilidade do grupo e foi levada para a sede da Polícia Federal. Outras quatro pessoas também foram detidas: o advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, que atuou como assistente parlamentar de um deputado estadual entre 2023 e 2024; o advogado Marlon Antônio Fontana; além de Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza.

O Ministério Público informou que todos são suspeitos de integrar o esquema de corrupção em setores estratégicos da Polícia Civil de São Paulo. A decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello afirma que o grupo transformou delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos.

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As investigações revelaram que policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre potenciais alvos de cobrança de propina. Com base nesses relatórios, eles enviavam intimações e exigiam dinheiro para não dar andamento em investigações. Doleiros ofereciam propina para que os trabalhos parassem, e foram identificadas destruições de provas, como a troca de HDs apreendidos por dispositivos vazios.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que a corporação não compactua com desvios de conduta. A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo empresas de fachada e a simulação de operações de importação.

Um dos pontos centrais do esquema era a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, operada por meio de estabelecimentos comerciais fictícios. Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza são apontados como operadores do grupo. Há um mandado de prisão contra Meirelles, que ainda não foi localizado.

O documento judicial detalha episódios de corrupção no Departamento de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em um dos casos, investigados teriam substituído um disco rígido apreendido por um dispositivo sem informações incriminatórias. A Justiça autorizou 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e às empresas de fachada utilizadas pelo grupo.

A investigação que resultou na operação é um desdobramento da Operação Recidere, deflagrada em 2023 contra um esquema bilionário de envio de dinheiro ilícito ao exterior. Os diálogos obtidos indicam a ocorrência de diversos atos de corrupção no DPPC durante a investigação da Operação Fractal, que revelou um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção sistêmica envolvendo policiais civis de São Paulo.

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