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ONG denuncia morte de 46 presos por protestos contra o governo em Cuba

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Pelo menos 46 manifestantes detidos durante protestos contra o governo em Cuba morreram por falta de atendimento médico, conforme informou a ONG Justiça 11J na terça-feira, 10 de março de 2026.

A denúncia foi feita durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos na Guatemala, que abordou a situação de manifestantes encarcerados desde 2021, quando uma série de mobilizações tomou conta da nação caribenha.

De acordo com a diretora da organização, Camila Rodriguez, as mortes ocorreram entre o início de janeiro e os primeiros dias de março, sendo consequência da “negação ou atraso deliberado no atendimento médico” dos manifestantes. Ela afirmou que os detentos eram transferidos para hospitais apenas quando já estavam em “condições irreversíveis”.

Rodriguez também apontou que um total de 294 detentos foram privados de atendimento médico nas prisões cubanas, segundo monitoramento realizado por uma coalizão de organizações da sociedade civil.

““Até o momento, não temos conhecimento de investigações independentes ou autoridades prisionais que tenham sido responsabilizadas por essas mortes sob custódia estatal”, disse.”

Os manifestantes foram detidos durante os protestos de julho de 2021, quando milhares de cubanos tomaram as ruas do país contra o governo. Essa mobilização foi a mais significativa desde a revolução de 1959 e levou o presidente Miguel Díaz-Canel a convocar seus apoiadores para tomarem as ruas em resposta.

O representante da Anistia Internacional, Cristian Jiménez, destacou que a prisão de opositores políticos é uma prática comum utilizada por Havana para punir aqueles que protestam por melhorias no país.

““Esta é uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto”, afirmou.”

Os protestos ocorreram em meio à pandemia da Covid-19 e foram motivados pelas más condições de controle da doença, com um alto número de casos e o colapso de centros de saúde local. Além disso, a falta de acesso à internet e uma grave crise econômica também contribuíram para o descontentamento da população. Em defesa do governo, Díaz-Canel alegou que a crise se deve ao embargo promovido pelos Estados Unidos, que permanece em vigor até hoje.

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