Uma operação de combate a um esquema de lavagem de dinheiro no setor de carvão vegetal foi realizada em nove cidades das regiões Norte e Central de Minas Gerais nesta terça-feira (17). A ação, denominada Kodama, foi deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Durante a operação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão contra 24 alvos. Além disso, houve restrição judicial de veículos avaliados em mais de R$ 10 milhões e bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 50 milhões. Também foram suspensos registros de pessoas jurídicas, impedidas a emissão de guias ambientais e desabilitadas junto à Secretaria da Fazenda.
A delegada Bianca Landau Braile, chefe do Departamento Estadual de Investigações Contra os Crimes de Meio Ambiente, informou que as investigações começaram em 2023, quando uma empresa de siderurgia foi autuada por receptar carvão de mata nativa sem o devido licenciamento ambiental.
Conforme a Polícia Civil, um grupo de investidores fez investimentos em empresas localizadas majoritariamente no Norte de Minas Gerais. Essas empresas eram utilizadas para emissão de notas fiscais, obtenção de créditos florestais e guias de controle ambiental. A polícia notou que a capacidade produtiva dessas empresas era incompatível com a estrutura que possuíam, superando até outras empresas consolidadas na atividade.
As cidades onde os mandados foram cumpridos incluem: Várzea da Palma (1), Taiobeiras (9), Três Marias (1), Coração de Jesus (2), Francisco Sá (1), Águas Vermelhas (1), Indaiabira (2), Ubaí (2) e Rio Pardo de Minas (1). Além de Minas Gerais, ordens judiciais foram executadas no Distrito Federal e em Sergipe.
Os mandados focaram tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Taiobeiras teve o maior número de mandados e os principais alvos. A delegada destacou que foram identificadas pessoas físicas e jurídicas, incluindo empresas de transporte e do setor florestal, atuando de forma conjunta e estruturada na produção e comercialização de carvão de origem ilícita.
A investigação revelou que documentos de controle ambiental falsos eram utilizados para acobertar a venda do carvão vegetal de origem irregular, proveniente de mata nativa. “Uma das estratégias utilizadas era misturar o carvão obtido de forma ilícita com o produzido de forma regular e utilizar a guia de controle ambiental para transporte e comercialização”, detalhou a delegada.
O esquema investigado causou prejuízos ao meio ambiente. Em uma das áreas fiscalizadas, foram identificados quase nove mil metros cúbicos de carvão vegetal com documentação irregular, equivalentes a aproximadamente R$ 3,4 milhões em produto. Os investigados poderão responder por crimes de lavagem de capitais, associação criminosa e crimes ambientais correlatos.

