Um estudo realizado pela University College London (UCL) revelou que pedalar por apenas 15 minutos pode estimular a liberação do fator neurotrófico derivado do cérebro, conhecido como BDNF. Essa molécula é responsável pela formação de sinapses e novas células nervosas, atuando na melhoria do desempenho mental e na proteção contra doenças.
A pesquisa acompanhou 30 pessoas entre 18 e 55 anos, consideradas fora de forma, durante um programa de treinamento físico com três sessões de bicicleta por semana ao longo de dois meses e meio. Os resultados mostraram que, à medida que os participantes ganhavam condicionamento, apenas 15 minutos de exercício moderado ou vigoroso eram suficientes para liberar o BDNF.
““A descoberta mais empolgante do nosso estudo é que, se a gente passa a se exercitar mais, nosso cérebro começa a se beneficiar ainda mais de uma única sessão de exercícios, e essas mudanças começam a aparecer em apenas seis semanas”, disse Flaminia Ronca, fisiologista e líder da pesquisa.”
Os participantes foram divididos em dois grupos: um que pedalava três vezes por semana e outro que mantinha seu estilo de vida sedentário. Eles foram submetidos a testes físicos, como o de VO2 máximo, além de avaliações de memória e funções cognitivas. Os cientistas também mediram os níveis de BDNF no sangue e mapearam a atividade no córtex pré-frontal, área ligada à tomada de decisões.
Na última semana de treino, observou-se que, embora as taxas basais de BDNF não se alterassem, havia um pico na liberação da molécula após exercícios mais vigorosos. Os níveis mais altos de BDNF estavam associados a mudanças no córtex cerebral durante testes de atenção.
Os autores do estudo enfatizam que este é o primeiro a demonstrar que, após 12 semanas de exercícios regulares, é possível potencializar a liberação de BDNF com um único treino de 15 minutos. Isso indica que o condicionamento físico tem efeitos diretos na dinâmica cerebral, com benefícios tanto a curto quanto a longo prazo, incluindo a proteção contra transtornos mentais e neurológicos, como demências.


