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Meio Ambiente

Pesca colaborativa com botos é reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 06:01
Amanda Rocha
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Tempo: 2 min.
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A pesca colaborativa com botos, uma prática tradicional em que pescadores artesanais e botos trabalham juntos para capturar tainhas, foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na quarta-feira, 11 de março de 2026.

A prefeitura de Laguna, cidade no Sul de Santa Catarina conhecida como Capital Nacional dos Botos Pescadores, informou que esse reconhecimento nacional aumenta a visibilidade da cidade como referência mundial nessa interação única entre humanos e vida marinha.

A decisão ocorreu durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, a instância deliberativa máxima do Iphan. A prática já era considerada patrimônio imaterial de Santa Catarina pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC) desde 2018, e agora está inscrita no Livro dos Saberes.

“Trata-se de um saber-fazer tradicional enraizado em territórios específicos, transmitido entre gerações e continuamente recriado pelas comunidades que dele participam”, afirmou o conselheiro Bernardo Issa, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Durante a época da pesca, que ocorre geralmente entre maio e julho, os pescadores se reúnem no estuário e aguardam o sinal dos botos. Os animais ajudam a localizar e cercar os cardumes, saltando e emitindo sons para indicar o momento certo de jogar a isca.

Os botos são identificados pelos pescadores com base em suas características e habilidades, e muitos possuem nomes próprios. Essa interação exige técnica e conhecimento, pois cabe ao pescador discernir quando o boto está auxiliando na pesca.

A pesca com botos ocorre em quatro sistemas estuarinos entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo a foz do Rio Tramandaí (RS) e o Complexo Lagunar Sul de Santa Catarina os locais de maior frequência.

Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o risco de extinção dos botos-de-Lahille de vulnerável para em perigo de extinção, com uma população estimada em cerca de 330 indivíduos, a maioria no litoral sul do Brasil.

TAGGED:Bernardo IssabotosFundação Catarinense de CulturaInstituto do Patrimônio Histórico e Artístico NacionalLagunaMeio Ambientepatrimônio imaterialpesca colaborativaSanta CatarinaUnião Internacional para a Conservação da Natureza
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