A Polícia Federal (PF) encontrou um envelope pardo na residência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em Brasília, durante a primeira fase da operação Compliance Zero, realizada em novembro de 2025.
O envelope continha a palavra ‘Congresso’ escrita à mão, o que levantou suspeitas sobre a relação de Vorcaro com parlamentares. Naquela fase inicial, a PF ainda não tinha acesso ao conteúdo do celular do preso, o que limitava a compreensão de suas ligações com o mundo político.
A apreensão do envelope levou a defesa de Vorcaro a solicitar que o caso fosse encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é responsável por relatar casos envolvendo políticos com foro privilegiado.
Antes de ser enviado ao STF, o caso estava sob a jurisdição da Justiça Federal de Brasília, onde o juiz Ricardo Soares Leite havia determinado a prisão de Vorcaro e o afastamento do então presidente do banco BRB, Paulo Henrique Costa.
O nome do juiz foi mencionado em mensagens encontradas no celular de Vorcaro após a quebra de sigilo. Em uma dessas mensagens, o ex-banqueiro questiona uma pessoa não identificada sobre o juiz, o que reforçou a suspeita de que ele recebia informações antecipadas sobre ações contra ele.
A informação sobre o envelope foi inicialmente noticiada pela Veja e confirmada pela PF com base no auto de apreensão e fontes da investigação. O conteúdo do envelope representa uma nova linha de investigação sobre as ligações de Vorcaro com políticos, possivelmente relacionadas ao seu celular.
Em fevereiro de 2026, a PF revelou que encontrou referências a políticos no celular de Vorcaro desde 2022, incluindo trocas de mensagens e menções a parlamentares com foro privilegiado. Recentemente, a PF teve acesso ao conteúdo da quebra de sigilo telefônico de Vorcaro, que revelou mensagens e citações ao senador Ciro Nogueira (PP) e ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
Além disso, foram encontradas menções a Alexandre Moraes, possivelmente referindo-se ao ministro do STF, e ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Todos os citados negaram qualquer envolvimento com fraudes ou recebimento de vantagens indevidas de Vorcaro.

