A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o desembargador Macário Júdice Neto, o ex-deputado Thiego Raimundo, a empresa TH Joias, e mais dois investigados. O caso está sob a responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.
A denúncia se refere ao vazamento de uma operação policial contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Bacellar, TH Joias e Macário são citados juntamente com Jéssica Santos e Thárcio Salgado por “crime de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa armada, mediante o concurso de funcionário público”. O desembargador, que está preso desde dezembro de 2025, também foi denunciado por violação de sigilo funcional. Thárcio Salgado enfrentará ainda a acusação de favorecimento pessoal.
A denúncia, que possui 22 páginas, detalha um esquema de obstrução de justiça e vazamento de informações sigilosas que comprometeram a “Operação Zargun” em 2025. A PGR acusa Macário Júdice Neto de ter revelado medidas cautelares ao deputado Rodrigo Bacellar, que, por sua vez, teria repassado o alerta ao principal alvo, o então parlamentar TH Joias.
Com o aviso prévio, os investigados teriam coordenado o esvaziamento de provas e a fuga de TH Joias, contando com o suporte logístico de sua esposa, Jéssica de Oliveira Santos, e do assessor Thárcio Nascimento Salgado. As acusações são fundamentadas em registros telefônicos, imagens de segurança e depoimentos que comprovam o conluio para proteger membros ligados ao Comando Vermelho.
A defesa de Bacellar se manifestou em nota, afirmando que a denúncia é baseada em ilações e narrativas refutadas por extensa prova documental. “A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que NADA foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos”, diz a nota assinada pelos juristas Daniel Leon Bialski e Roberto Podval.
A defesa do desembargador Macário Júdice também enviou uma nota, expressando surpresa com a denúncia e lamentando que a narrativa da acusação seja fruto de ilações que não se sustentam. “Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo”, afirma a defesa.


