O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está pressionando aliados a contribuírem com forças navais para proteger o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Especialistas alertam que essa iniciativa apresenta grandes riscos e, mesmo se for bem-sucedida, pode restaurar apenas cerca de 10% do tráfego pré-guerra pela via marítima.
O tráfego comercial na região praticamente cessou após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. A Guarda Revolucionária iraniana ameaça atacar qualquer navio associado aos EUA e Israel ou a países aliados que transitem por essa rota crucial. Aproximadamente 20% do petróleo mundial e quantidades significativas de gás natural liquefeito e fertilizantes dependem do estreito para chegar aos mercados globais. O fechamento dessa via fez os preços dessas commodities dispararem.
Para aliviar a pressão econômica, Trump e autoridades americanas estão elaborando planos para que a Marinha dos EUA escolte navios comerciais pelo estreito. O presidente também solicitou a aliados e até a rivais, como a China, que contribuam com embarcações militares para as missões de escolta. Até o momento, nenhuma oferta de ajuda foi confirmada, refletindo os riscos envolvidos, segundo analistas navais.
As missões de escolta naval são complexas, exigindo coordenação entre meios marítimos e aéreos para proteger tanto petroleiros e navios comerciais quanto as embarcações militares. A operação no Estreito de Ormuz, descrita como um “vale da morte”, apresenta desafios significativos. O estreito tem cerca de 16 km de largura no ponto mais estreito, e a área navegável é ainda menor, especialmente para petroleiros gigantes.
Navios de guerra, como os destroyers da Marinha dos EUA, precisam de espaço para manobrar ao redor dos petroleiros e responder a ameaças, como drones ou mísseis. Além disso, os petroleiros podem criar pontos cegos para os navios de guerra. O tempo de reação é extremamente curto, pois as armas iranianas estão posicionadas próximas à costa.
Analistas afirmam que escoltas não podem ser realizadas apenas com destroyers. O apoio de helicópteros ou aviões de ataque seria necessário para enfrentar drones aéreos ou marítimos. Aeronaves de alerta antecipado e drones de reconhecimento também precisariam monitorar áreas dentro do Irã em busca de lançamentos de mísseis.
Outro desafio é o número de navios disponíveis. Um destroyer americano poderia escoltar apenas um ou dois petroleiros por vez, e alguns especialistas afirmam que cada petroleiro pode necessitar de mais de um navio de escolta. Um relatório de Lloyd’s List Intelligence indica que uma operação básica exigiria de 8 a 10 destroyers para proteger comboios de 5 a 10 navios comerciais, o que restauraria apenas cerca de 10% do tráfego normal pelo estreito.
A Marinha dos EUA possui 73 destroyers da classe Arleigh Burke-class, mas apenas cerca de 68% estão prontos para combate devido a manutenção e treinamento, resultando em cerca de 50 destroyers disponíveis. Se 10 forem necessários para uma única missão de escolta, a Marinha americana pode enfrentar dificuldades para manter operações prolongadas.
Outro grande desafio é a detecção e neutralização de minas marítimas. A Marinha dos EUA desativou quatro navios varredores de minas no Golfo Pérsico, que seriam substituídos por navios de combate litorâneo, mas apenas três estavam na região antes da guerra. Idealmente, um ou dois caça-minas deveriam atravessar o estreito antes dos petroleiros para garantir que a rota esteja limpa.
Analistas afirmam que Japão e Coreia do Sul poderiam ajudar com navios caça-minas, mas ainda não assumiram compromisso. Essas embarcações são levemente armadas e poderiam se tornar alvos fáceis para o Irã. A missão é considerada possível, mas arriscada, com especialistas alertando que as marinhas atuais não têm a mesma capacidade que tinham nos anos 1980.


