A Polícia Federal (PF) começou a analisar o material da CPMI do INSS relacionado à quebra de sigilo do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A ação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que estabeleceu que todas as informações referentes à vida privada de Vorcaro devem permanecer sob sigilo.
A PF foi até a sala da secretaria onde estão os computadores com as informações da CPMI do INSS. Desde segunda-feira (16), a segurança no local foi reforçada. A sala-cofre guarda documentos sensíveis, incluindo o conteúdo da quebra de sigilo do banqueiro.
Após a decisão do ministro Mendonça, uma equipe da PF foi designada para analisar o material e remover informações pessoais. Não há um prazo definido para a conclusão dessa triagem.
O deputado Rogério Correia, do PT, expressou a necessidade de garantir que informações envolvendo políticos e autoridades sejam preservadas. Ele alertou que a retirada de acesso a certos documentos pode deixar os parlamentares sem informações sobre agendas comprometedores de Vorcaro. ‘As pessoas envolvidas tanto em agenda do próprio Vorcaro, quanto as pessoas envolvidas em festas, etc… A Polícia Federal vai ter que fazer essa interpretação’, afirmou.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, do Podemos-MG, solicitou à PF que investigue a possibilidade de alguém ter utilizado uma câmera escondida na sala-cofre. ‘Infelizmente, existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação’, disse Viana, enfatizando a importância de preservar o material para que a investigação prossiga sem que provas sejam anuladas.
O prazo para o encerramento dos trabalhos da CPMI está previsto para o dia 27. Viana mencionou que pediu mais tempo à presidência do Congresso, mas ainda não obteve resposta. Ele também entrou com um mandado de segurança no STF para tentar prorrogar os trabalhos por mais 60 dias, com o pedido sendo relatado pelo ministro André Mendonça.
Além disso, o Banco Central determinou a liquidação do Master Múltiplo, o quinto banco extinto desde o início do escândalo envolvendo Vorcaro. O Master Múltiplo estava em regime de administração especial temporária, mas, com a liquidação da Will Financeira em janeiro, o Banco Central decidiu que não havia mais motivos para a continuidade do banco, que não possuía correntistas.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal restabeleceu a validade da lei que permite ao Banco de Brasília usar nove imóveis públicos como garantia para empréstimos de até R$ 6,6 bilhões. A decisão foi tomada após uma liminar que havia suspendido a lei, e o desembargador Roberval Belinati considerou que a lei atende a um relevante interesse público.


