A Polícia Civil reconstituiu na quarta-feira (18) o assassinato do cabeleireiro Denilson Nascimento Alves, que ocorreu na madrugada de 31 de janeiro, no bairro Rocio, em São Paulo. O técnico de comunicações Alysson Augusto Alves, preso sob acusação de matar o tio da própria esposa, participou do procedimento.
A reconstituição foi realizada após a polícia identificar contradições nas versões apresentadas por Alysson e sua esposa, a única testemunha do crime e sobrinha da vítima. Alysson foi detido pela PM a aproximadamente 4 km do local do crime e confessou ter cometido o ato, alegando legítima defesa.
Após a audiência de custódia, ele foi liberado, mas foi novamente preso após um pedido do Ministério Público (MP). O MP argumentou que Alysson matou Denilson para ocultar a relação amorosa que mantinham. O laudo pericial indicou que a vítima foi atingida por ao menos cinco facadas e que havia escoriações que sugeriam uma luta corporal.
Não houve registro do homicídio em câmeras de monitoramento. Durante a reconstituição, foram reproduzidas as duas versões apresentadas em depoimento, com registros fotográficos. O procedimento foi conduzido pela delegada Josy Caetano, com o apoio de dois investigadores e uma escrivã.
Em entrevista à TV Tribuna, a delegada afirmou que a reconstituição foi “relevante” para a investigação. “Hoje a gente tem, com a clareza de imagens, mais materialidade para trabalhar neste inquérito […] Precisa buscar a verdade dos fatos”, explicou.
O laudo necroscópico de Denilson confirmou que ele levou ao menos cinco facadas, sendo algumas delas enquanto estava no chão. O documento também registrou escoriações que indicaram uma possível luta corporal antes do crime. No dia do homicídio, Alysson e sua esposa estavam em shows em Ilha Comprida e Iguape, onde ela percebeu que o marido discutia com Denilson por mensagens.
Ao chegarem à casa da vítima, Denilson revelou que mantinha um relacionamento amoroso com Alysson. A partir disso, uma discussão se iniciou. Durante a briga, Denilson sacou uma faca e se aproximou do rosto de Alysson, que reagiu e atingiu a vítima. Durante a audiência de custódia, Alysson expressou arrependimento e afirmou que o ato não foi premeditado, sustentando que Denilson iniciou as agressões.
Alysson, que tem duas filhas com a esposa, tentou ser policial militar em 2021, mas foi reprovado no exame psicológico da corporação por não atender ao perfil exigido para o cargo de Soldado de 2ª Classe da PM de São Paulo. O examinador concluiu que ele apresentava uma personalidade instável e pouco persistente.


