Conversas interceptadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) indicam que policiais civis teriam solicitado R$ 5 milhões para interromper uma investigação relacionada a uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro.
A informação foi obtida em uma decisão judicial que apura corrupção na Polícia Civil de São Paulo. Durante uma conversa interceptada, Paulo Rogério Dias, conhecido como Paulo Barão, afirma que Robson Martins de Souza, representante do grupo investigado, teria sido informado sobre a cobrança.
Segundo o documento, foi solicitado o pagamento de R$ 5 milhões ao integrante da organização que compareceu a uma delegacia, quantia que seria necessária para “resolver” a investigação em andamento.
““O valor seria necessário para ‘resolver’ a investigação em andamento”, diz o documento.”
Na mesma conversa, Barão questiona Robson sobre possíveis contatos no 16º Distrito Policial, informando que o inquérito estaria sob responsabilidade de um delegado identificado como “João”. As interceptações também revelam a preocupação dos integrantes do grupo com o avanço do inquérito.
Em uma conversa registrada em dezembro de 2022, Barão envia a Cleber Martins um áudio demonstrando apreensão com a investigação em curso na unidade policial. O Ministério Público afirma que esse episódio faz parte de um esquema mais amplo de corrupção.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro que, para garantir impunidade, realizava promessas e pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis.
Os promotores destacam que os integrantes do grupo atuavam de forma coordenada para interferir em investigações em andamento e assegurar proteção institucional às atividades ilícitas. As apurações são parte de uma operação conjunta conduzida pelo MPSP e pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção sistêmica na polícia paulista.
A defesa dos citados não foi localizada até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.

