Os preços do petróleo subiram nesta quinta-feira (5), continuando um rali, em meio a preocupações com a oferta devido à escalada da guerra entre os EUA e Israel com o Irã. Essa situação interrompeu o abastecimento e o transporte, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção e outros a adotar medidas para garantir a segurança do abastecimento.
O petróleo Brent aumentou US$ 2,04, ou 2,5%, alcançando US$ 83,44 por barril às 8h40 (horário de Brasília), marcando a quinta sessão consecutiva de ganhos. O petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA subiu US$ 2,26, ou 3,0%, para US$ 76,92.
Os mercados de petróleo estão se tornando mais restritos, com o governo chinês instruindo as maiores refinarias de petróleo a suspender as exportações de diesel e gasolina, conforme relatado pelo analista da PVM, John Evans.
Duas refinarias de petróleo na China e na Índia fecharam suas unidades de petróleo bruto devido à interrupção no abastecimento, uma vez que ambos os países dependem das importações de petróleo bruto do Oriente Médio. Essa perspectiva de menor oferta nos mercados de combustíveis fez com que os futuros do diesel europeu atingissem seu nível mais alto desde outubro de 2022, a US$ 1.130.
Os mercados de petróleo bruto permanecem tensos, enfrentando riscos contínuos ao abastecimento após os ataques no Oriente Médio, com preocupações centradas nos fluxos comerciais através do Estreito de Ormuz, conforme afirmaram analistas do ANZ.
Os ataques a petroleiros continuaram na quinta-feira, quando o petroleiro Sonangol Namibe, com bandeira das Bahamas, relatou que seu casco foi perfurado após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Cerca de 300 petroleiros permanecem dentro do estreito, com o tráfego de embarcações que entravam e saíam do estreito quase parando após o início da guerra, segundo dados de rastreamento de navios da Vortexa e da Kpler.
Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma onda de mísseis contra Israel, levando milhões de residentes a se refugiarem em abrigos, enquanto o conflito entrava em seu sexto dia. Poucas horas antes, medidas para interromper os ataques dos EUA foram bloqueadas em Washington. Na quarta-feira (4), um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, resultando na morte de pelo menos 80 pessoas, e as defesas aéreas da Otan destruíram um míssil balístico iraniano disparado contra a Turquia.
Os suprimentos de petróleo bruto do Iraque e do Kuweit podem começar a ser interrompidos em poucos dias se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, reduzindo potencialmente 3,3 milhões de barris por dia (bpd) até o oitavo dia do conflito, conforme afirmaram analistas do J.P. Morgan. O Iraque, o segundo maior produtor de petróleo bruto da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, reduziu a produção em quase 1,5 milhão de barris por dia devido à falta de armazenamento e rota de exportação, segundo autoridades.
O Catar, o maior produtor de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações de gás na quarta-feira, com fontes afirmando que o retorno aos volumes normais de produção pode levar pelo menos um mês.

