O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os desvios do INSS, senador Carlos Viana, solicitou a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias. A intenção é analisar documentos e informações relevantes para a investigação.
Viana ingressou com um mandado de segurança no STF para garantir a continuidade dos trabalhos. Ele afirmou: “Se a CPMI não for prorrogada, quem vai perder será o Brasil. Eu tenho a consciência tranquila, juntamente com o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), de que nós estamos cumprindo com o nosso dever, não estamos sendo omissos, muito menos covardes.”
O senador destacou que, caso a CPMI não prossiga, a responsabilidade recairá sobre o Parlamento em relação a um escândalo considerado um dos mais cruéis da história da República. Viana também manifestou apoio à decisão do ministro do STF, André Mendonça, que determinou o fechamento da sala-cofre da CPMI e restringiu o acesso a materiais apreendidos.
Segundo Viana, essa medida é necessária para proteger a investigação e evitar erros ou vazamentos de informações sensíveis. Ele planeja reunir-se com a advocacia do Senado para discutir a devolução do material após a filtragem de dados privados pelo STF, incluindo conteúdos sigilosos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
“As informações de foro íntimo do senhor Vorcaro com quem quer que seja não interessam à investigação. Isso somente prejudica o nosso trabalho. O que interessa a nós é o relacionamento dele com entes da República, com o sistema financeiro e o esclarecimento de onde foi parar o dinheiro roubado dos brasileiros”, afirmou Viana.
O presidente da CPMI também anunciou a intenção de convidar representantes de bancos como Crefisa, BMG e C6 para colaborar com a investigação. O objetivo é entender o relacionamento desses bancos com o INSS e propor mudanças legislativas para proteger os idosos de taxas abusivas.
Além disso, Viana expressou o interesse do colegiado em promover uma audiência conjunta com o atual e o ex-presidente do Banco Central para discutir as relações da instituição com diferentes governos. Em relação ao pastor André Valadão, responsável pela Igreja Lagoinha, Viana negou qualquer tipo de blindagem e esclareceu que todos os sigilos bancários de pessoas investigadas foram quebrados.
“Seis igrejas apareceram nas investigações. Três delas tinham indícios de lavagem de dinheiro e todas as três tiveram o sigilo quebrado. Não há, até o momento, qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS”, concluiu.

