O presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, colocou em dúvida a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Em entrevista à televisão estatal nesta terça-feira, 10 de março, Taj afirmou que o atual cenário de guerra e as tensões diplomáticas com Washington afetam a presença do país no torneio.
Taj criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a Austrália conceder asilo político a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana durante a Copa da Ásia. As atletas foram acusadas de “traição” pelo regime de Teerã por se recusarem a cantar o hino nacional antes da partida contra a Coreia do Sul. O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, declarou que a concessão de asilo foi motivada pelo risco de perseguição caso as jogadoras retornassem ao Irã.
Ao comentar o caso, Taj acusou Washington de interferência política e mencionou um bombardeio na cidade de Minab, no sul do Irã, que deixou ao menos 175 mortos, incluindo crianças e funcionárias de uma escola infantil. Segundo autoridades iranianas, o ataque fez parte de uma operação aérea conjunta conduzida por Estados Unidos e Israel.
““O presidente americano escreveu dois tuítes pedindo que fosse concedido asilo político às nossas jogadoras e disse que, se a Austrália não o fizesse, ele próprio o faria. Ele fez 160 mártires ao matar nossas crianças em Minab e agora está sequestrando nossas meninas. Como podemos ser otimistas nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?”, afirmou.”
Apesar das tensões, o Irã já tem dois dos três jogos da fase de grupos do Mundial agendados em Los Angeles — contra Bélgica e Nova Zelândia — e outro em Seattle, diante do Egito. Taj questionou: “Se a Copa acontecesse nessas condições, quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional para um lugar assim?”. Na semana passada, ele já havia levantado dúvidas sobre a presença da seleção no torneio, que ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.


