Quatro policiais da Brigada Militar do Rio Grande do Sul foram condenados pela Justiça Militar por crimes cometidos em agosto de 2025, na Zona Sul de Porto Alegre.
A sentença revela que os policiais participaram de uma operação ilegal que incluiu invasões de domicílio, agressões, sequestro, torturas físicas e psicológicas, disparos de arma de fogo e cárcere privado das vítimas por mais de duas horas.
Os réus, identificados como Sandro Urubatã Acosta, Anderson Azambuja de Souza, Anderson Nascimento da Silva e Nathan Fraga Leon, foram condenados com penas variando de 1 ano a 13 anos de reclusão, além da perda de seus cargos na Brigada Militar.
A Justiça também determinou a interdição para o exercício de função pública pelo dobro do tempo das penas impostas. A condenação foi detalhada da seguinte forma:
- Sd. Sandro Urubatã Acosta: 13 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, além de 8 meses de detenção, iniciando em regime fechado.
- Sd. Anderson Azambuja de Souza: 12 anos, 5 meses e 18 dias de reclusão, além de 8 meses e 22 dias de detenção, também em regime fechado.
- Sd. Anderson Nascimento da Silva: 1 ano e 8 meses de reclusão e 4 anos, 11 meses e 15 dias de detenção, em regime semiaberto.
- Sd. Nathan Fraga Leon: 1 ano, 6 meses e 22 dias de reclusão e 4 anos, 11 meses e 25 dias de detenção, em regime semiaberto.
O advogado de Anderson Nascimento da Silva afirmou que ainda não havia lido a sentença. O Ministério Público planeja recorrer para aumentar as penas de Nathan e Nascimento.
A operação ilegal começou por volta das 3h do dia 1º de agosto de 2025, quando os policiais invadiram a residência de uma família no bairro Lami, em Porto Alegre, sem autorização judicial. Um dos moradores foi levado contra a vontade, enquanto outro ficou retido sob vigilância, sem acesso ao celular.
Após essa ação, os policiais se dirigiram a outra residência, onde submeteram os moradores a abusos. A juíza destacou que gravações das câmeras corporais confirmaram a violência, mesmo com a imagem bloqueada. As crianças presentes presenciaram toda a situação.
Mais tarde, a vítima foi abandonada em uma área de mata e encontrada em condições debilitadas por familiares. O laudo médico confirmou múltiplas lesões compatíveis com os relatos.
Os policiais negaram as torturas, alegando que as vítimas estavam envolvidas com tráfico de drogas e que teriam consentido com a entrada na residência. No entanto, as imagens e mensagens extraídas dos celulares contradisseram suas versões, revelando que a operação foi planejada e que os policiais discutiram as agressões.


