A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Cristina Bernardes Barbosa, alertou que universidades públicas e comunitárias enfrentam um ataque global. A declaração foi feita em uma entrevista exibida no dia 17 de março de 2026.
Bernardes Barbosa, que foi reconhecida na lista da Forbes dedicada a mulheres que transformam a ciência, afirmou que há um movimento para desacreditar as instituições que produzem conhecimento. Ela destacou que a população deve entender que as universidades são responsáveis pela implementação de políticas públicas.
“O governo não tem condições de fazer formação em larga escala”, explicou a reitora. A UFRGS, em parceria com o Ministério da Saúde, está oferecendo formação a distância para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) através do Projeto Mais Saúde com Agente, que já formou mais de 400 mil ACS.
A reitora expressou preocupação com os ataques às universidades, que, segundo ela, são potencializados por um lobby das empresas de tecnologia. “Tem um movimento para criar um grande conglomerado de universidades, eu chamo de ‘Fast Food’, porque é de baixa qualidade”, criticou.
Bernardes Barbosa também comentou sobre a visão equivocada das big techs em relação à formação de profissionais. “Quem pensa fora da caixa é a universidade”, afirmou, referindo-se aos cursos oferecidos por grandes empresas de tecnologia como uma tentativa de substituir o ambiente de pesquisa universitário.
Para combater esse movimento, a reitora defende que as universidades se aproximem da população, utilizando uma linguagem acessível e ampliando sua presença em eventos e redes sociais. “Isso não é confortável, não é acadêmico. […] Mas vamos morrer se a gente não fizer isso”, alertou.
Em relação à diversidade, Bernardes Barbosa afirmou que empresas com melhor equilíbrio entre homens e mulheres e diversidade racial tendem a ter melhores resultados financeiros. Ela ressaltou a importância das cotas para abrir espaço nas universidades, mas enfatizou que é necessário garantir que diferentes visões sejam consideradas nas discussões e decisões.
““Se tiver 20 pessoas na sala, todas que estudaram no mesmo colégio, na mesma visão de mundo, todas vão vir com a mesma solução. Agora, se eu colocar nessa sala pessoas com visões diferentes e ciência, conhecimento e disrupção, tem a ver com visões diferentes.””


