A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou o colega de partido, Guilherme Boulos, em entrevista, pela defesa da formação de uma federação entre psolistas e petistas. Para Sâmia, o grupo de Boulos não vê mais o PSOL como um projeto estratégico da esquerda nacional.
Boulos, que foi o deputado federal mais votado do PSOL em São Paulo em 2022, com mais de 1 milhão de votos, atualmente é o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele lidera a corrente interna do partido chamada Revolução Solidária, que defendia a ideia de federação, proposta que foi rejeitada pelo diretório nacional do PSOL no último sábado.
“Talvez eles não vejam mais o PSOL, ou não sei se já viram um dia, como um projeto estratégico para a esquerda brasileira, de ir construindo um partido que seja independente, com seu próprio programa, as suas pautas”, afirmou Sâmia. Ela se opõe à ideia de compor uma federação com o PT, argumentando que isso limitaria a atuação partidária e eleitoral.
Um dos principais argumentos de Boulos e seu grupo para defender a federação é a dificuldade do PSOL de ultrapassar a cláusula de barreira, que estabelece critérios eleitorais mínimos para acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita de TV. No entanto, Sâmia critica essa justificativa: “Acho contraditório o Boulos alegar o tema da cláusula de barreira como justificativa, porque ele próprio teve mais de 1 milhão de votos na última eleição e não vai ser candidato neste ano”, disse.
Sâmia também mencionou uma teoria que circula nos bastidores do PSOL, sugerindo que Boulos estaria buscando se aproximar do PT para viabilizar sua linha sucessória em relação ao presidente Lula. “Eu creio que tem a ver com um projeto do Boulos de ficar mais próximo do Lula e disputar uma linha sucessória”, declarou.
Recentemente, dois dirigentes do partido e uma vereadora de Florianópolis deixaram o grupo de Boulos por serem contra a ideia de federação, percebendo-a como um projeto pessoal do ministro. Sâmia observou que, nos últimos meses, houve uma mudança de estratégia por parte de Boulos e do núcleo dirigente da Revolução Solidária, que passou a priorizar a aproximação com Lula em vez do fortalecimento da esquerda como um projeto coletivo.
“Criou-se um ambiente de medo para reduzir resistências internas. No entanto, os fatos não sustentam essa tese: em 2022, o PSOL superou com folga as exigências que valerão para 2030”, concluiu Sâmia.


