A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) reuniu em Goiânia, na sexta-feira (13/03), servidores da Semad, da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio (SIC), do Ministério Público (MP-GO), professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e representantes do setor mineral para estabelecer três grupos de trabalho. O objetivo é criar uma metodologia estruturada de monitoramento e avaliação dos impactos socioeconômicos da mineração no estado.
A titular da Semad, Andréa Vulcanis, destacou que a mobilização visa tornar o licenciamento ambiental mais robusto e baseado em indicadores mensuráveis. Segundo ela, atualmente não existem indicadores que permitam medir de forma clara os impactos sociais e econômicos da atividade mineral no Brasil. Isso gera subjetividade em relação às obrigações das mineradoras e dos municípios e do Estado.
““Os impactos ambientais causados pela mineração tradicionalmente, em Goiás e no Brasil, são analisados caso a caso. […] Mas ninguém se aprofunda em discutir: esses programas realmente são efetivos? Mudam a vida das pessoas?””
Vulcanis também mencionou sua experiência de 30 anos na área ambiental, afirmando que, em geral, os programas de socioeconomia não são satisfatórios para a comunidade, para os empreendedores e para os órgãos ambientais. “Então, aqui nós estamos fazendo uma discussão técnica, e que passa no âmbito desses grupos de trabalho”, completou.
O projeto surge de um diagnóstico discutido no 1º Ciclo Técnico de Debates Socioambientais, realizado em dezembro de 2025. Foram instituídos três Grupos de Trabalho (GTs): GT 1 – Mitigação de Impactos Socioambientais; GT 2 – Mineração e Desenvolvimento Regional; e GT 3 – Paralisação e Fechamento de Mina. Os trabalhos terão duração de um ano, com reuniões periódicas e elaboração de um relatório final que servirá de subsídio técnico para aprimoramento do licenciamento ambiental e formulação de políticas públicas.
O titular da SIC, Joel Sant’anna Braga, elogiou a iniciativa, afirmando que estabelecer segurança jurídica às empresas garante incentivos econômicos ao Estado e assertividade no licenciamento ambiental. “É uma grande oportunidade, pois os grandes países do mundo estão investindo fortemente em terras raras”, afirmou.
O presidente do Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luiz Antônio Vessani, ressaltou que o setor mineral pode contribuir com informações e que o desenvolvimento da metodologia ajudará a sociedade a enxergar a mineração de forma menos negativa. “Onde as pessoas enxergam um grande buraco na terra, nós, mineradores, enxergamos o futuro”, disse.

