O senador Izalci Lucas, líder da oposição no Congresso, defendeu a prorrogação da CPMI do INSS por pelo menos mais 60 dias e criticou a decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu a quebra de sigilo de Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de outros investigados no escândalo das fraudes em aposentadorias.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o parlamentar afirmou que a decisão judicial atrapalha o avanço das investigações e classificou a medida como um “absurdo”. Segundo ele, a comissão precisa de mais tempo para aprofundar apurações que podem envolver novos casos de irregularidades.
Izalci explicou que a CPMI ainda não concluiu as investigações centrais sobre os descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. Ele destacou que a comissão pretende avançar sobre o tema dos empréstimos consignados e convocar instituições financeiras para explicar denúncias relacionadas ao sistema.
O senador citou a necessidade de ouvir órgãos e empresas envolvidos na operação dos sistemas previdenciários, além de analisar novas suspeitas que podem surgir a partir das investigações. Na avaliação do parlamentar, a suspensão da quebra de sigilo compromete uma etapa essencial da apuração.
Izalci criticou o entendimento do ministro do Supremo de que a votação em bloco de requerimentos na CPMI não teria fundamentação suficiente para autorizar medidas invasivas como a quebra de sigilo bancário ou fiscal. Segundo ele, votações desse tipo fazem parte da tradição do Congresso e foram adotadas em diversas comissões ao longo da história do Legislativo.
O senador afirmou que a CPMI pretende ouvir outras instituições financeiras relacionadas às denúncias envolvendo empréstimos consignados. Ele mencionou que parte das convocações enfrentou resistência da base governista, que estaria tentando “blindar” algumas empresas de depoimentos.
Izalci também comentou as investigações relacionadas ao Banco Master e fez críticas duras a ministros do Supremo envolvidos nas discussões públicas do caso. Ele afirmou que a crise pode comprometer a credibilidade da Corte e defendeu que ministros citados em controvérsias deveriam considerar a renúncia.
Sobre um eventual processo de impeachment contra ministros do STF, o parlamentar afirmou que o Congresso teria hoje apoio insuficiente para aprovar tal medida. Segundo Izalci, nas contas da oposição, existiriam atualmente cerca de 26 votos favoráveis a um eventual processo de impeachment, número insuficiente para avançar no Senado. Ele também disse que há receio entre parlamentares de votar medidas que envolvam o Supremo Tribunal Federal.


