O senador Alessandro Vieira anunciou a intenção de abrir uma CPI no Senado para investigar os pagamentos milionários feitos ao escritório de advocacia vinculado à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O tema é parte das discussões sobre o escândalo do Banco Master.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, Vieira destacou que os valores pagos ao escritório levantam dúvidas que precisam ser esclarecidas de forma transparente. Segundo o senador, as cifras fogem ao padrão do mercado jurídico. “Os valores não correspondem a uma contratação normal de escritório de advocacia”, afirmou.
A CPI tem como objetivo investigar se os pagamentos foram por serviços efetivamente prestados ou se representam uma forma de acesso privilegiado a autoridades do Judiciário. A comissão pretende convocar envolvidos, requisitar documentos e analisar contratos relacionados ao caso.
Além disso, Vieira mencionou que a investigação também pode incluir relações do Banco Master com o ministro Dias Toffoli, que é citado nas discussões sobre o escândalo. O senador ressaltou que a CPI é um direito da minoria parlamentar e não necessita de autorização política, bastando reunir o número mínimo de assinaturas.
Ele afirmou já ter obtido 35 assinaturas, número suficiente para protocolar o pedido, e acredita que o apoio pode ultrapassar 40 senadores. A leitura do requerimento dependerá do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Sobre a possibilidade de impeachment de ministros, Vieira disse que isso dependerá das descobertas da investigação. Caso sejam identificados crimes de responsabilidade, caberá ao Senado avaliar a abertura de um processo de impeachment.
O senador enfatizou que a investigação não visa atacar a instituição do Supremo, mas sim esclarecer a conduta de ministros específicos. “Não estamos atacando o Supremo, mas investigando fatos concretos”, concluiu.


