Um estudo divulgado nesta quinta-feira (5) revelou que sete em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos. A pesquisa, intitulada Viver nas Cidades: Mulheres, foi realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec, e entrevistou 3,5 mil pessoas em dezembro de 2025 nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Durante o lançamento da pesquisa, Patrícia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, destacou que
““A insegurança é uma regra na nossa vida, não é uma exceção. Há uma proporção alta de mulheres que seguem dizendo que já sofreram assédio”.”
Do total de mulheres entrevistadas (2.066), 71% relataram ter enfrentado algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais pesquisados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas ou transporte particular.
Os resultados mostram que ruas e espaços públicos são os locais mais frequentes de assédio, mencionados por 54% das mulheres. O transporte público foi citado por 50%, seguido pelo ambiente de trabalho (36%), bares e casas noturnas (32%), ambiente familiar (26%) e transporte particular (19%). Além disso, 5% das mulheres relataram ter sofrido assédio em todos os seis espaços analisados.
As entidades responsáveis pela pesquisa consideram que, apesar da queda em relação a 2014, quando o índice era de 74%, a proporção de mulheres que sofreram assédio ainda é alta e persistente nas dez cidades.
““Embora pareça pouco, a gente está falando de mulheres que vivem em 10 capitais que [concentram] 33 milhões de habitantes”,”
acrescentou Patrícia Pavanelli.
O estudo também abordou as sugestões das mulheres para combater o assédio. Aumentar as penas contra os agressores foi a principal proposta, com 55% das menções, seguida pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas (48%) e agilização das investigações (37%). Patrícia Pavanelli comentou que
““a pesquisa aponta para um caminho que combina esse desejo da punição e da justiça, mas a necessidade de uma rede de apoio mais robusta”.”
A promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de SP, enfatizou que o combate à violência contra mulheres não pode ser resolvido apenas pela via punitivista. Ela afirmou que
““essa ideia de que o direito penal vai dar conta de tudo é uma visão que é patriarcal”.”
Fabíola ressaltou que, apesar da demanda por aumento de penas, o feminicídio, que já possui a maior pena prevista no código penal, não tem se refletido na redução desse tipo de crime.
Naiza Bezerra, coordenadora de Políticas para Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, destacou a importância de repensar intervenções públicas e mecanismos de proteção para mulheres. Ela observou que
““muitas mulheres não estão seguras no lar e, quando vão para o espaço público, enfrentam uma insegurança ainda maior”.”
O levantamento também investigou a percepção sobre a divisão de tarefas domésticas. Quatro em cada dez entrevistados (39%) afirmaram que os afazeres de casa são responsabilidade de todos, mas as mulheres realizam a maior parte. Para 37%, as atividades são divididas igualmente. A percepção muda significativamente entre gêneros: 47% dos homens acreditam que as tarefas são divididas igualmente, enquanto apenas 28% das mulheres compartilham dessa visão.

