Sete integrantes da Seleção Feminina do Irã solicitaram asilo na Austrália após a disputa da Copa da Ásia. O número inclui cinco jogadoras que pediram e receberam vistos humanitários na segunda-feira (9), além de uma jogadora e um membro da comissão técnica.
O restante da delegação já deixou a Austrália em direção ao Irã. Não está claro qual rota foi utilizada nem quando a equipe chegará ao país. Um observador informou que pessoas se reuniram do lado de fora do hotel onde a seleção estava hospedada, tentando impedir a saída do ônibus em direção ao Aeroporto de Gold Coast, em Queensland, na Austrália.
Uma das jogadoras foi vista chorando enquanto seguranças escoltavam a equipe até o ônibus. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na rede Truth Social que seria um “grave erro humanitário” se a Austrália permitisse que a equipe retornasse ao Irã e que os EUA concederiam asilo às jogadoras caso a Austrália não o fizesse.
A seleção iraniana estava na Austrália para a Copa da Ásia Feminina, onde foi eliminada na fase de grupos após três derrotas. Antes da primeira partida, as jogadoras permaneceram em silêncio durante a execução do hino nacional, um gesto interpretado como traição por setores radicais no Irã.
Fontes próximas à equipe relataram que as jogadoras foram obrigadas a cantar o hino nas duas partidas seguintes sob ameaças às suas famílias. Há temores de que elas enfrentem perseguição ao retornar ao Irã. O gabinete do procurador-geral do Irã incentivou a seleção a voltar para casa, afirmando que as jogadoras agiram de forma não intencional.
O ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, disse que “inimigos” tentaram desviar as jogadoras de voltar para casa com “ofertas tentadoras”. Após a última partida, apoiadores se aglomeraram ao redor do ônibus da equipe, gritando “salvem nossas meninas”.
Hadi Karimi, defensor de direitos humanos, relatou que pelo menos três jogadoras fizeram o sinal internacional de pedido de ajuda com as mãos. Contudo, uma fonte próxima à equipe duvidou que as jogadoras soubessem o significado desse gesto. Na segunda-feira (9), foi confirmado que pelo menos sete integrantes da equipe deixaram o hotel, com cinco delas solicitando asilo à Polícia Federal Australiana.
A jornalista esportiva Raha Pourbakhsh informou que as famílias de três jogadoras foram ameaçadas. Craig Foster, ex-jogador da seleção australiana, afirmou que várias organizações tentaram conversar com as jogadoras, mas não tiveram sucesso. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) foi contatada para comentar sobre o caso.

