A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Jair Bolsonaro na Papudinha durante o ano eleitoral. A decisão foi tomada na quinta-feira, 5 de março de 2026, e negou o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do ex-presidente.
O ministro Alexandre de Moraes argumentou que a Papudinha oferece condições adequadas para a permanência de Bolsonaro, incluindo estrutura médica, espaço para caminhadas e um ambiente mais amplo do que a sede da Polícia Federal, onde ele estava anteriormente detido.
Além disso, Moraes destacou que Bolsonaro tem recebido lideranças políticas no local, transformando a Papudinha em um “quartel-general” para articulações políticas. A corte entendeu que, se o ex-presidente está apto para realizar conversas e articulações, não há necessidade de transferência para prisão domiciliar.
Os laudos médicos apresentados não indicaram comorbidades que não pudessem ser tratadas na Papudinha, que foi projetada para atender as necessidades médicas dos detentos. A defesa de Bolsonaro alegou questões de saúde, mas o tribunal não acatou o argumento.
A decisão do STF também reflete a união do tribunal em relação aos eventos de 8 de janeiro, mostrando coesão em temas relacionados à trama golpista. No entanto, há uma preocupação no entorno de Bolsonaro com o tom das críticas ao STF. Flávio Bolsonaro, por exemplo, adotou uma postura mais cautelosa, evitando críticas diretas a ministros durante um ato na Avenida Paulista no último domingo, 1º de março.
Michele Bolsonaro tem se mostrado mais engajada na busca pela mudança do regime de prisão do marido, expressando preocupação com sua saúde. Contudo, a perspectiva atual é de que qualquer alteração no regime prisional só ocorra se a defesa conseguir comprovar, por meio de junta médica, a impossibilidade de manutenção de Bolsonaro na Papudinha.

