SUS inicia tratamento com tafenoquina para malária em crianças

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Ministério da Saúde iniciou o tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos no Sistema Único de Saúde (SUS) com o uso de tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pesos entre 10 kg e 35 kg. O público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no Brasil.

Até então, o medicamento era oferecido apenas a jovens e adultos a partir de 16 anos. A entrega do medicamento está sendo realizada de forma gradual, priorizando áreas na região Amazônica. O Brasil se torna o primeiro país a disponibilizar esse tratamento para crianças.

Serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica para ampliar o controle da malária em todo o território nacional. O novo medicamento é indicado para pessoas com malária vivax (Plasmodium vivax), com peso acima de 10 kg, que não estejam grávidas ou amamentando.

O uso do medicamento tem se mostrado eficaz, reduzindo recaídas e a transmissão da doença. O esquema terapêutico anterior exigia tratamento por até 14 dias, dificultando a adesão, especialmente entre crianças. Segundo o Ministério da Saúde, “a nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”.

O ministério investiu R$ 970 mil na compra do medicamento e já recebeu 64.800 doses, que serão distribuídas em áreas de maior incidência, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Esses locais concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos.

O DSEI Yanomami foi o primeiro a receber 14.550 comprimidos. Essa região já havia recebido a tafenoquina 150 mg, indicada para pacientes com mais de 16 anos, em 2024. O ministério reconhece que “a malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas”.

O Ministério da Saúde continua intensificando o monitoramento e as ações de controle vetorial, a busca ativa e a disponibilização de testes rápidos, entre outras estratégias de combate à doença na região. Entre 2023 e 2025, no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes, crescimento de 116,6% no número de diagnósticos e redução de 70% nos óbitos pela doença.

No Brasil, em 2025, foi registrado o menor número de casos (120.659) desde 1979, com 15% de redução em relação a 2024. Também houve uma redução de 16% em áreas indígenas. A Amazônia concentra 99% dos casos do país, com 117.879 casos registrados na região no ano passado.

Compartilhe esta notícia